Saindo da vida simples


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As cabeleireiras Eliana Ribeiro Montovani (esq.) e Adriana Neroni deram um trato no visual da dona de casa Maria de Lourdes e da filha Sirleide de Souza durante o passeio a Franca. As duas não paravam de rir diante de tanta novidade.
As cabeleireiras Eliana Ribeiro Montovani (esq.) e Adriana Neroni deram um trato no visual da dona de casa Maria de Lourdes e da filha Sirleide de Souza durante o passeio a Franca. As duas não paravam de rir diante de tanta novidade.
A TV Record apresenta há algumas semanas o reality show Simple Life, onde mostra as atrizes Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro em uma fazenda de Analândia, interior de São Paulo, desenvolvendo atividades rurais. Acostumadas à vida agitada das grandes metrópoles, as duas experimentaram a tranqüilidade e a dura rotina da vida no campo por 40 dias. As “patricinhas” tiraram leite de vacas, deram banho em porcos, limparam o curral, entre outras atividades completamente estranhas para elas. O Comércio fez o caminho inverso. Trouxe uma família que reside no Bairro Rural Vila Primavera (mais conhecido como Chora Nenê), em Pedregulho, para conhecer Franca. Maria de Lourdes Coutinho Souza, 53, o marido, o aposentado Sebastião Domingos de Aguiar, 70, e a filha Sirleide de Souza Aguiar, 10, passaram o dia na cidade. Conheceram o shopping e a região central. O que para muitos é corriqueiro, para a família foi inesquecível. Maria já esteve em Franca para dar entrada no pedido de aposentadoria. Mas não conheceu a cidade, nem mesmo o Centro que fica próximo ao posto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Sebastião visitou a cidade poucas vezes para acompanhar a mulher. Ele quase não sai do Chora Nenê e sustenta a família com o benefício de R$ 380. Sirleide só sai de casa para ir à escola na Vila de Estreito, distante 5 quilômetros. Dois dias depois do convite feito, a reportagem foi até a casa da família. O combinado era pegá-los às 8h30. A ansiedade era tanta que, às 6 horas, todos já estavam acordados. Tomaram apenas um café preto e esperaram. “Eu achei que vocês não vinham mais”, disse Sirleide à repórter que chegou alguns minutos atrasada. Os três vestiram roupa nova para o passeio. Vaidosas, mãe e filha pagaram R$ 10 a uma vizinha para fazer as unhas. “Ah, a gente quis dar uma caprichadinha, né?”, disse Maria. A menina não queria saber de conversa. O desejo era iniciar logo o passeio. Sirleide foi na janela para olhar a paisagem. O Chora Nenê começava a ficar para trás. Na Rodovia Cândido Portinari, a família fez a primeira parada para tirar um foto antes de continuar a viagem. Maria e Sebastião, mais tímidos, vão calados. A menina, não. Sempre faz um comentário quando passa um carro ou caminhão. Ao passar em frente ao Clube dos Bagres, já em Franca, Sirleide fez um comentário inusitado: “Nossa, que piscina grande! Vou estudar bastante para um dia eu trabalhar aí”. Ao ver Franca pela primeira vez, Sirleide ficou impressionada: “Nossa mãe, como Franca é grande!”. Para a menina, que não conseguia parar de ler os outdoors, letreiros e placas pelas ruas, tudo era novidade. “Que tanto de ônibus, quanta gente...”. Os pais se divertiam com a surpresa da filha. Sebastião também ficou espantado ao ver um carroceiro. “Até aqui tem carroça?”. A primeira parada da família em Franca foi no salão de beleza PetiteFleur, na Rua Estevão Leão Bourroul. Mãe e filha foram dar “um trato” no visual. Vaidosa, Sirleide foi a que mais gostou da novidade. Foi logo dizendo: “Eu quero fazer chapinha”. [FOTO2] Depois de examinar o cabelo da garota, a cabeleireira Eliana Ribeiro optou por fazer uma hidratação seguida por selante e, é claro, a chapinha que ela pediu. Maria ficou mais tímida. Revelou que nunca tinha ido a um salão. Durante duas horas, mãe e filha passaram por uma “transformação”. Ansioso com a espera, o aposentado bebeu café e fumou três vezes. A demora valeu a pena. A dona de casa se espantou ao se ver no espelho. “Não estou me reconhecendo. Ficou muito bom. As minhas vizinhas não vão acreditar”, disse Maria, que pintou o cabelo e fez escova. Sirleide, ao ver a mãe, comentou. “A maquiagem caiu muito bem na senhora”. Sebastião soltou um elogio: “Acho que vou te pedir em casamento de novo”, brincou. As duas não paravam de rir ao se olharem no espelho. Depois do salão, a família foi conhecer o Franca Shopping. A admiração foi inevitável diante de tanta novidade. “Como é grande. Que tanto de loja”, dizia Sirleide, que não sabia se olhava para a direita, para esquerda ou para o teto. Os olhos da menina brilhavam de tanta emoção. Maria parou por alguns minutos em frente a uma loja para admirar uma mesa de jantar. Ficou encantada. “É bonita, mas é muita cara”. Os três namoraram vitrines, mas não entraram em nenhuma loja. Após caminhar por todo o shopping, a família parou na praça de alimentação para almoçar. Sempre inquieta, Sirleide foi quem escolheu primeiro. “Quero aquele sanduíche lá”, disse ela, apontando para o McDonalds - um lanche que nunca comeu e sequer tinha ouvido falar. Os pais também não resistiram à novidade. Diante da comida, a criança não sabia o que comer primeiro. “O sanduíche é muito gostoso. Nunca tinha comido um assim”. Depois do shopping, os três conheceram a Praça Central de Franca. Já cansados, só deram uma volta. “A minha perna já está doendo de tanto andar”, disse Maria. Sirleide, ainda cheia de energia, queria mais. “Queria conhecer a cidade inteira”. No caminho de volta para o Chora Nenê, por volta das 16 horas, Maria e Sebastião agradeceram a oportunidade de passear na cidade grande. Sirleide não via a hora de chegar em casa para contar do passeio para as amigas. “Elas vão morrer de inveja quando eu contar tudo o que vi. E quando ver o meu cabelo, então? Nem vão acreditar que sou eu”.

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