Em três anos sem radar, o número de mortos vítimas de acidentes de trânsito triplicou em Franca. Saltou de 2,3 mortes por mês (uma a cada 13 dias) em 2003, quando o sistema de fiscalização eletrônica estava em funcionamento, para sete vítimas fatais por mês (um morto a cada quatro dias) neste ano. A continuar neste ritmo, a cidade deve fechar 2007 com a triste marca de 84 mortos em acidentes. O maior índice dos últimos dez anos. Até agora, já foram 49 mortos.
Instalados a partir de 2000, os radares se espalhavam pelas avenidas Adhemar de Barros, Brasil, Presidente Vargas, Major Nicácio, Santos Dumont, Rio Branco, Paschoal Pulicano, Flávio Rocha e Hélio Palermo. Em três anos de funcionamento, mesmo com um crescimento de 20 mil veículos em circulação na cidade, conseguiram reduzir em 60% o número de mortos em acidentes de trânsito na cidade.
Quando a fiscalização eletrônica foi instalada, acontecia em Franca um acidente com mortes para cada 1,4 mil veículos em circulação. No auge da atuação dos equipamentos em 2003, esse índice passou para um para 4,2 mil veículos. Passados três anos, a cidade retrocedeu. Em 2007, volta a registrar um acidente com mortos para 1,6 mil carros em circulação.
O bombeiro aposentado Manoel Magela de Toledo, que desenvolve um trabalho sobre conscientização no trânsito nas escolas da cidade, disse que os radares são um dos meios mais eficazes na prevenção de acidentes. “Eles ajudam a coibir o excessos dos motoristas, isso é provado. Onde há radares, o número e a gravidade dos acidentes diminuem”.
Para Toledo, a instalação de equipamentos de fiscalização eletrônica é fundamental para a segurança no trânsito, mas só ela não basta para reduzir o número de mortes nas ruas da cidade. “Precisamos também de campanhas educacionais”.
O engenheiro Omar José Junqueira Pugliesi defende a mesma opinião. “Eles forçam quem dirige a respeitar mais as leis, mas, sozinhos, são incapazes de resolver o problema dos acidentes. A Prefeitura precisa ter política de trânsito, o que não acontece hoje”.
A Polícia Militar e o Departamento de Trânsito foram procurados para comentar o aumento no número de acidentes, mas disseram não ter dados referentes a aplicação de multas e o número de acidentes ocorridos na cidade.
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