A doméstica Maria Aparecida de Souza Rosa, 41, mora em uma casa de cinco cômodos com mais 13 pessoas no prolongamento do Jardim Santa Bárbara, em Franca. A renda mensal da família é de R$ 700.
É como se cada integrante da casa tivesse que sobreviver com menos de R$ 2 por dia. Maria Aparecida tenta há três anos conseguir ajuda do governo. Até agora nada. A família leva uma vida muito difícil. Maria Aparecida faz parte de um grupo de 23 mil famílias da região (12 municípios) que estão na linha de pobreza. São pessoas que sobrevivem com R$ 100 por mês ou até menos. Pouco mais da metade dessas pessoas conta com ajuda governamental. O restante tem que recorrer à solidariedade de outras pessoas ou encontrar meios alternativos para ganhar algum dinheiro extra. Em geral são famílias numerosas que vivem em extrema pobreza.
Na casa de Maria Aparecida, apenas duas pessoas trabalham. Ela sempre trabalhou em casa de família e o marido Luís Antônio Rosa, 35, cata material reciclável para ajudar no orçamento.
Pela renda, a família teria direito ao Bolsa Família, do governo federal. Não consegue ser contemplada. “A minha sorte é que não tenho que pagar aluguel . A situação seria muito mais difícil do que já é”. Só com alimentação, são gastos mais de R$ 250. “Não sobra dinheiro nem para comprar roupa. A gente tem que contar com a solidariedade das pessoas”.
A rotina da família começa às 6 horas. Os filhos vão para a escola e o casal vai trabalhar. Para economizar o dinheiro da passagem, Luís Antônio Rosa, 35, o marido, vai de bicicleta até a região da Avenida Brasil para catar material reciclável. “Aqui em casa a gente passa muita necessidade. O dinheiro é pouco e não dá para quase nada. Coisas como carne e frutas é muito difícil comprar”. O sonho da doméstica é que os filhos menores de 14 anos pudessem trabalhar.
No mesmo bairro de Maria Aparecida, a dona de casa Kátia Cristina de Castro, 33, engrossa a lista das 23 mil famílias pobres. Ela é mãe de seis filhos e o marido, Osvaldo Tomás de Oliveira, 53, não pode mais trabalhar por causa de um problema de coluna. Recebe de aposentadoria R$ 380 mensais. Todo mês são gastos mais de R$ 50 somente com medicamento para os filhos menores que têm bronquite. O restante é usado para comprar alimentação e pagar as contas de água e luz. “A casa é nossa, mas a gente tem que pagar pelo terreno. A parcela custa R$ 200.
Não tem jeito de pagar, nem sei quantas estão atrasadas. O meu medo é da gente perder a casa”, disse Kátia, que também não consegue ser beneficiada por um programa social.
Kátia e Maria Aparecida são apenas dois exemplos de famílias que vivem em extrema pobreza. A situação é comum em outras cidades da região. Em Cristais Paulista, muitos moradores recorrem ao Cras (Centro de Referência e Assistência Integrada). “A gente faz o que pode para atender todo mundo. Quando não é possível ser cadastrado em determinado programa, tentamos encaixar em outro. Mesmo sendo pobres, muitas não têm o perfil exigido pelos programas”, disse a assistente social Jane Lélis.
Além de não conseguir o benefício, muitas sofrem com a falta de emprego fixo. Em Rifaina, a falta de trabalho faz com que muita gente bata na porta da Prefeitura. “A administração tenta atrair empresas para a cidade para reduzir o desemprego. Mas é difícil.
Outra forma de ajudar é ministrar gratuitamente cursos profissionalizantes. A proposta é ajudar essas pessoas a conseguirem melhor a renda”, disse a assistente social Silvia Donizete Rezende.
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