Vida (dura) de peão


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As luzes se acendem. Os fogos de artifício estouram no céu. A platéia se aperta na arquibancada. O locutor se apresenta e faz uma oração. Começa mais uma noite de rodeio. São, no mínimo, quatro dias de festa. A magia do evento arrasta multidões e ganha cada vez mais adeptos no interior paulista. O figurino é típico. Para os meninos: chapéu, bota, camisa e calça apertada. Para elas, bota de salto alto, calça bem justa, cabelos escovados, maquiagem e chapéu. Os peões, as grandes atrações da festa, estão atrás de prêmios como motos, carros e dinheiro. Mas o mundo do rodeio não é fácil. Para ganhar fama e ter o nome reconhecido nos quatro cantos, é preciso vencer o touro. Muitas vezes, o bicho não dá mole. Para chegar lá, é preciso treinar muito e se acostumar com as quedas. Como dizem no meio, o “sistema é bruto”. O desafio é conseguir se manter oito segundos em cima de um animal. Para quem olha só de longe e não chega perto de um boi, parece pouco tempo. Mas não diga isso a um peão. “Pelo contrário, é uma eternidade”, disse Márcio Rodrigues, 30, conhecido como Marcinho no mundo do rodeio. Rodrigues, que é de Pedregulho, começou a montar na adolescência como brincadeira e ganha a vida assim. “Montei pela primeira vez aos 14 anos como amador em uma festa em São José da Bela Vista. Ganhei uns trocados e comprei roupa. Foi quando percebi que dava para viver do rodeio”. Depois de tantos anos montando, Marcinho diz que já ganhou R$ 90 mil. A última vitória foi na Festa do Leite de Batatais, em junho. Levou para casa uma moto. “Quando fico muito tempo sem ganhar nada, trabalho em fazendas para ganhar dinheiro. Dá para viver do rodeio, mas não é fácil”. Marcinho participa, em média, de 20 festas por ano. Ele garante que, em 85% delas, fica entre os cinco primeiros colocados. “Eu vivo disso. Tudo o que tenho foi conquistado com o rodeio, inclusive, a minha casa. Quero montar até depois dos 40 anos”. Para agüentar tanta competição, só mesmo tendo preparo físico. Todos são magros e muito ágeis. “Tem que ser assim. Temos até o jeito certo de cair para não nos machucar”. Marcinho já virou referência nas festas da região e há quem se inspire em sua história. Bruno Henrique Pereira, 18, de Jeriquara, é um deles. Em épocas de festa, o jovem passa dias em um ranho em Rifaina na companhia de Marcinho e outros peões. É uma espécie de concentração. No local, ficam também os touros da companhia de Carlos César Lourenço, 25, que cria e treina bois para competição. “Eu sempre vi o Marcinho montar e o admiro. Hoje ele me ensina as técnicas”, disse Bruno, que teve que enfrentar a resistência da família para sair de casa e investir no rodeio. “O problema é que tive que parar de estudar. Não dava para conciliar as duas coisas. O meu sonho é viver do rodeio”. Bruno não via a hora de fazer 18 anos (completados no dia 8 de agosto) para competir pela primeira vez em um rodeio profissional (antes dessa idade não é permitido). A noite escolhida foi quinta-feira, 8, na 21ª Expogale (Exposição de Gado Leiteiro de Buritizal). Não conseguiu. “Deu problema na inscrição”. O peão terá que segurar a ansiedade. A estréia deve ser na Festa Agropecuária de Pedregulho (de 15 a 19 de agosto). “Nessa eu vou”. Na disputa, estão R$ 8 mil mil em prêmios. O primeiro colocado leva R$ 2.500. Marcinho Rodrigues garante que também estará lá.

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