Feliz Dia dos Pais. Será?


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Existem pais de todos os tipos: presentes, ausentes, ricos, pobres, bonitos, feios, tristes,alegres, novos e idosos e é desses que quero falar. Meu pai morreu aos 82 anos, perda de audição quase total, não pela idade, aos 55 já era assim, trabalhava numa fábrica de tecidos (alguém conhece o barulho que faz dentro de uma fábrica de tecidos, principalmente na tecelagem? Quantos outros pais também tiveram sua saúde ou mesmo sua integridade física agravada (alguns morreram), por não terem um local de trabalho adequado? É verdade que têm acontecido mudanças para melhor mas são lentas. Quantos pais serão visitados nas cadeiras, nos hospitais, nos cemitérios, no trabalho? É sabido por todos que hoje vive-se mais, existem mais idosos com menos saúde. Para muitos, o presente do Dia dos Pais será... o medicamento. Outra será uma diária de CTI? Uma muleta nova, uma cirurgia de hérnia? Uma vaga no asilo? É doloroso mas é a realidade. Pais idosos, na terceira idade, na melhor idade, como queiram, não têm muito o que comemorar. Torna-se imperioso que um conjunto de ações sejam deflagradas sistematicamente, ininterruptamente, iniciando com ações preventivas desde a gravidez, passando pela infância, puberdade, adolescência e chegando à velhice. Nesta tal de melhor idade, têm-se que assegurar acesso incondicional ao que for necessário para mitigar o sofrimento de um idoso (que na maioria das vezes também é pai), a exemplo de consultas, exames, cirurgias, reabilitação, internação com eqüidade (respeitando o Estatuto do Idoso e, caso de Franca, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) existente entre a Promotoria e a Secretaria de Saúde municipal, assinado no ano de 2004, que garante a qualquer pessoa acima de 60 anos acesso a consultas e exames no prazo máximo de 30 dias, sob pena de multa pecuniária contra a pessoa do Secretário de Saúde e o Prefeito; salvo ter havido mudança no termo e que eu possa desconhecer. Acredito que um ótimo presente aos idosos de Franca seria uma manifestação do gestor municipal sobre as necessidades desse grupo específico de cidadãos. Construir mais conjuntos esportivos do que UBS’s – os idosos necessitam de ocupação e se for com lazer, melhor ainda –, praças ajardinadas, fiscalização das calçadas. É muito difícil caminhar por calçadas obstruídas por mesas, cadeiras, vasos, carros, seja lá o que for. Deveria haver mais faixas de travessia de ruas para pedestres e incentivo ao uso, com comunicação por rádio, jornal e comunicação alternativa, “gritando” a que pedestres e motoristas devem aprender a conviver com elas e a respeitá-las. Deveria haver iluminação pública adequada e suficiente no centro e na periferia da cidade; coletivos com facilidades de acesso. Quem sabe, uma política pública municipal de resgate da cidadania do idoso. Enquanto não há, aproveitemos o dia de amanhã para que a cidade de Franca dê um abraço em cada idoso seu, como se cada um fosse seu pai. Feliz daquele que ainda tem seu pai, podendo este já ser um avô, até mesmo um bisavô. Deixo aqui os meus sinceros votos de um feliz Dia dos Pais na pessoa do meu, já falecido mas sempre em minha memória e no meu dia-a-dia. MARCO AURÉLIO PIACESI é médico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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