MST invade área na estrada Franca-Batatais


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150 famílias do MST invadiram área na estrada Franca/Batatais.
150 famílias do MST invadiram área na estrada Franca/Batatais.
Era uma hora da madrugada de ontem, quando caminhões, ônibus e carros estacionaram em frente à Fazenda Miraflor, na estrada velha Franca-Batatais, e mais de 150 famílias do MST invadiram a área. Desde 2001, os integrantes do movimento não ocupavam fazendas na região. A Polícia Militar foi acionada e esteve no local, mas não houve conflitos. A invasão foi planejada com antecedência. Segundo a lavradora Ana Maria, 35, coordenadora dos sem-terra, integrantes do movimento inspecionaram o local antes para conhecer sua condição. “Na verdade, não somos nós quem escolhemos essa área. Ela que nos escolheu, pois é improdutiva. Há muito tempo, estamos mapeando essa área para que seja ocupada. E a oportunidade surgiu agora”, disse ela, que está no MST há dez anos e ocupou a Miraflor acompanhada dos quatro filhos de 13, 11, 10 e 2 anos. O grupo pretende continuar na fazenda. “Vamos reivindicar essa fazenda. Inclusive o Censo Agropecuário deste ano classificou a Miraflor como completamente improdutiva e, onde tiver terra que não produz, vamos ocupar”, disse. Ontem, os integrantes dedicaram o dia para recolher madeiras e construir barracas, abastecer o acampamento com água, preparar as refeições e fazer assembléias para discutir os rumos da invasão. O grupo precisou montar 50 barracos para acolher as famílias de moradores de Franca, Cristais Paulista, Batatais, Pedregulho e outras cidades vizinhas. A maioria dos integrantes está desempregada. Um dos seis donos da Fazenda Miraflor, o comerciante Clóvis Henrique da Silva, 55, recebeu a notícia da invasão ainda pela madrugada. Ele negou que as terras sejam improdutivas. “Esse é o único bem que minha família tem. Já criamos 100 cabeças de gado no local. O problema é que a fazenda tem 121 alqueires, mas 60 deles são declarados como reserva natural pelo Ibama e não podemos usar”. O advogado da família, Antônio Pinto, fez contato por telefone com os líderes dos sem-terra na Fazenda Miraflor para tentar uma negociação, mas até as 17 horas de ontem não havia obtido resposta. “Se não responderem, pediremos reintegração de posse na segunda-feira. A documentação já está pronta”.

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