Acampados tentam montar minicidade


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Depois da invasão, integrantes do MST se concentraram na montagem das barracas e divisão de tarefas. Cada pessoa do grupo é responsável por “um setor” do acampamento: o de infra-estrutura, negociação, saúde, segurança, educação das crianças, alimentação e outros. As barracas feitas com madeira e lona sobre o pasto abrigam dormitórios, cozinha comunitária, banheiro (com fossa), escola e uma farmácia. Guardadas as devidas proporções, os sem-terra tentam montar uma minicidade na área invadida. No lugar, é tudo improvisado. A iluminação é feita com velas e lamparinas, a água retirada de minas e armazenada em tambores plásticos. No começo, as refeições, geralmente arroz, feijão e macarrão, são feitas na cozinha comunitária em fogão a gás ou lenha. Depois, cada família costuma assumir sua alimentação e cozinhar do lado de fora de suas “casas”. A cozinha conjunta permanece em funcionamento para atender as famílias novatas que chegarem ao acampamento. Para a invasão, os sem-terra fretaram ônibus e caminhões e utilizaram veículos próprios. Na bagagem, levaram colchões, cobertores, panelas, lonas, tambores para guardar a água, botijão de gás, lamparinas, alimentos doados e até camas. Os primeiros dias após a invasão são dedicados à organização de toda tralha e construção do acampamento na fazenda. Nos demais dias, eles se ocupam com assembléias, delegação de funções aos acampados, preparo das refeições e conversas. Tudo à espera de uma decisão do governo ou da Justiça a respeito de seus destinos.

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