Setor coureiro-calçadista faz mais de 90% das vendas


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O setor coureiro-calçadista continua monopolizando as exportações francanas. Nos primeiros seis meses do ano, o setor foi responsável por 91,53% de todas as vendas exteriores da cidade, número bem próximo dos 91,32% registrados durante os doze meses de 2004. Foram U$116 milhões exportados, dos quais o setor respondeu por U$106 milhões. Em seguida aparece o café, com 7,31%, ou U$ 8,5 milhões. Os dados são do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Dos 40 produtos exportados, 35 são da cadeia. Além de demonstrarem que Franca vem perdendo a oportunidade de diversificar sua pauta, a pesquisa traz ainda um dado terrível para a economia da cidade. O sapato, produto de maior valor agregado, tem perdido espaço para a exportação de matéria-prima, em especial, o couro. A participação de calçados no total das exportações caiu de 69,01%, em 2004, para 53,11% este semestre. Já o couro quase dobrou sua participação na pauta de exportações. Este ano, o produto representou 31,53% do total vendido ao exterior, ante 14,66% de 2004, um aumento de 16,87 pontos percentuais. Os demais insumos representaram 6,89% das exportações de 2007.”Trata-se de um aumento nas vendas de produtos de menor valor agregado. Estamos vendendo couro, que é barato, para o exterior produzir o sapato, mais caro”, diz o professor de economia Antônio Vicente Golfeto, vinculado à ACI (Associação Comercial e Industrial) de Ribeirão Preto. Hélio Braga Filho, professor do Uni-Facef e pesquisador do IPES/NEIC, concorda. Para ele, os efeitos, tanto da monopolização quanto da exportação de matéria-prima, são “péssimos” para a economia da cidade. “Franca, hoje, é muito dependente do setor calçadista. Se ele está mal, a cidade sofre demais”, disse, acrescentando ainda que a chamada crise do setor poderia ter servido para diversificar as exportações, o que não aconteceu. “A crise poderia ser indutora de outras atividades. Nós temos setores industriais que poderiam estar exportando, como o moveleiro, as confecções, lingerie, mobiliário, perfumaria, que talvez poderiam estar colaborando com a pauta de exportação. Eles não exportam porque não estão devidamente organizados”. APOIO Embora a solução do “problema” dependa basicamente da iniciativa privada, Hélio acredita que uma política pública mais ousada poderia ajudar o setor. “Caberia ao governo municipal ter uma iniciativa. Acredito que isso já está sendo feito, mas está muito incipiente”, disse. Ele cita como exemplo uma cidade vizinha que está exportando produtos simples, mas que geram divisas. “Sertãozinho tem pessoal exportando até compota de goiaba. O problema de Franca é que falta empresários mais inovadores e agressivos mercadologicamente, com estratégia mercadológica”.

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