Créditos de carbono


| Tempo de leitura: 4 min
Com os acordos sobre mudança climáticas e a possibilidade de se vender o chamado “seqüestro de carbono”, abriu-se um novo negócio no País, ainda pouco explorado pelas empresas. Por “seqüestro” de carbonos se entenda tirar da atmosfera concentração de carbono, um dos principais fatores de aquecimento climático. Em 1999, foi assinado o Protocolo de Kioto reconhecendo a influência humana nas mudanças climáticas e o papel de responsabilidades comuns, porém diversificadas. Por esse modelo, decidiu-se dividir os países em dois blocos: os desenvolvidos e os emergentes. Os primeiros passaram a adotar metas de emissão de carbono. No início de cada ano, cada empresa recebe créditos de carbono que poderão ser utilizados no decorrer do período. Se ela ultrapassa sua cota, terá que adquirir cotas de terceiros. A idéia básica por trás desse modelo de mercado é que induziria as empresas mais eficientes a adquirir os créditos das menos eficientes, diminuindo o custo financeiro total da redução do efeito estufa. Aos países emergentes caberia o papel de vender seus créditos de carbono - ou seja, todos os ganhos com “seqüestro de carbono” provenientes de mudanças de métodos de produção. * * * Hoje em dia, existem 158 projetos aprovados no âmbito da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, do governo federal, incumbido de fazer a primeira triagem do processo. Através de metodologia científica, avalia-se de quanto será o “seqüestro de carbono” decorrente do empreendimento. Desses projetos, há 19 de aterros sanitários. O aterro impede o metano de ir para a atmosfera. Há 48 de biomassa. A queima de álcool libera tanto CO2 (a substância que gera o carbono) quanto a queima de gasolina. Só que na produção de álcool, há um sequestro de carbono bem maior que na queima no motor. Dezenove dos projetos são de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas); cinco de energia eólica; três de hidrelétricas; dez de troca de combustível fóssil por energia renovável; 31 de suinocultura. * * * Há um risco inicial, de preparar o projeto e submeter à Comissão. O projeto tem que ser validado por uma empresa certificadora. Depois de validado, é apresentado à Comissão. Aprovado, é registrado na ONU (Organização das Nações Unidas). Depois de um ano, se aprovado, permite negociar os créditos no mercado internacional. Já existem bancos japoneses negociando créditos com o Japão e bancos europeus negociando com o mercado da União Européia. O empresário pode vender seus créditos menos antes de começar a gerar direitos. Nesse caso, o comprador compra com desconto. * * * Prefeituras podem se beneficiar desse modelo, utilizando os créditos para construir aterros sanitários. Fabricantes de PCHs também, assim como usineiros e plantadores de cana. Uma PCHs, por exemplo, exige investimento de R$ 30 milhões, mas poderá obter 2,5% ao ano com crédito de carbono. Estima-se que, no caso de um suinocultor, os ganhos podem corresponder a 5% da receita. Obviamente, ainda é uma atividade para empreendimentos maiores. Mas é um mercado que, no âmbito do governo, poderá resultar em bons recursos para o financiamento de políticas ambientais. FEDERAL RESERVE O Federal Reserve (o BC americano) liberou ontem US$ 24 bilhões através de suas operações no mercado aberto, para evitar problemas de falta de liquidez que poderiam ser causados por conta da crise no mercado de crédito no país, sobretudo no segmento “subprime” (de maior risco). O banco fez a liberação em duas operações: US$ 12 bilhões através de uma operação que durará 14 dias e outros US$ 12 bilhões em uma operação “overnight” (que remunera as aplicações com taxas de juros diárias). O Fed seguiu, assim, uma ação semelhante realizada ontem pelo BCE (Banco Central Europeu). Com os temores de uma crise de liquidez na Europa, com uma possível corrida de clientes aos bancos para resgatar seu dinheiro, as taxas de “overnight” do BCE subiram para 4,7% - muito acima da meta do banco, 4%. No caso do Fed, a taxa ficou entre 5,375% e 5,5% ontem (a meta do Fed é 5,25%). O BCE liberou hoje 94,8 bilhões de euros (US$ 129 bilhões) em fundos de emergência de bancos europeus para garantir a liquidez das instituições bancárias - ação tomada devido à decisão do banco francês BNP Paribas de suspender os resgates em três fundos, que movimentam cerca de US$ 2,7 bilhões, citando temores quanto aos créditos de risco nos Estados Unidos. USIMINAS O Sistema Usiminas, que inclui a siderúrgica mineira de mesmo nome e a paulista Cosipa, anunciou ontem que obteve lucro líquido de R$ 1,44 bilhão no primeiro semestre deste ano, 38% a mais do que no mesmo período do ano passado (R$ 1,05 bilhão). O bom momento do mercado interno de aços planos, o forte crescimento econômico de países que compram os produtos - em especial a China - e a alta nos preços do aço foram considerados os principais motivos do resultado positivo. No segundo trimestre o lucro líquido foi de R$ 802 milhões, com alta de 14% sobre os R$ 704 milhões obtidos em igual período de 2006. Já o Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) no primeiro semestre foi de R$ 2,41 bilhões, alta de 23% em relação aos R$ 1,96 bilhão obtido no primeiro semestre do ano passado. “A siderurgia mundial vive um bom momento, principalmente em função do acelerado crescimento da produção e demanda de aço pela China, além do desempenho positivo nas principais economias mundiais. Diante deste cenário, a siderurgia brasileira tem se posicionado com êxito”, disse Rinaldo Campos Soares, diretor presidente da Usiminas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários