Se ficar o bicho come. Não sei o autor desta frase, mas sempre tive a impressão de que ele estava sendo perseguido por um pitbull ou um rottweiler. Provavelmente estava entre a cruz e a espada, entre a corda e o cadafalso para poder escrevê-la.
David Alderton, em seu livro ‘Dogs’ de 1993, comenta que nunca, em todo o mundo, uma raça foi tão temida e sofreu tantas sanções legais como a do pitbull. Nos últimos anos, em Franca e região, vários ataques de cães dessa raça têm levado pessoas à morte ou as deixando gravemente feridas.
Outro caso grave de ataque de um cão dessa raça aconteceu nesta terça-feira, no Jardim Aeroporto II, quando dois homens foram atacados por ‘Lucky’, e, com ferimentos, escaparam da morte. O servente de pedreiro Edgar Samuel Batista de Andrade, 48, trabalhava numa casa na Rua Ciro Faleiros e quando foi beber água numa torneira, foi atacado pelas costas pelo cão, que escapou das amarras que o prendiam no quintal. Não fosse a intervenção corajosa do pespontador Renato Aparecido de Castro, 47, que entrou em luta com o animal, Edgar certamente não estaria vivo.
Por causa de ataques como esse, tem sido questionado tanto o comportamento de donos de cães pitbull quanto a existência desta raça. O Decreto 11.215 regulamenta a livre circulação de cães da raça pitbull. O pitbull – American pitbull terrier – é uma raça que foi desenvolvida (quer dizer, modificada geneticamente) para produzir cães de combate. Destaca-se como principal característica desta raça, a sua agilidade e robustez.
Dependendo do treinamento a que o animal for submetido, estes cães podem se tornar extremamente agressivos, embora haja quem diga que esta é uma característica da raça. As delegacias de polícia de Franca estão cheias de queixas contra animais e seus donos. Em geral, preferem culpar o cão a culpar o dono. É como se o Código de Trânsito tirasse de circulação as marcas de carro mais envolvidas em acidentes em vez de cassar a carteira dos motoristas responsáveis pelas barbeiragens.
A raça pitbull é polêmica e a sua criação já foi proibida em alguns países. A propósito Pit, em inglês é fosso, buraco, ou seja, é a arena onde os cães lutam, e Bull é touro. Assim, pitbull significaria ‘touro de arena’. Para a rinha de cães, necessitava-se de um cão menor que facilitasse seu manejo durante as lutas, mas poderoso, resistente e extremamente determinado. Daí surgiria o pitbull, do cruzamento de cães terrier, pequenos, ágeis, corajosos e incansáveis, com o avantajado bulldog.
No Brasil, muitas cidades criam (através da Câmara de Vereadores) leis que obrigam criadores a não circular com cães da raça pelas ruas ou a usar focinheira durante os passeios. Os donos de pitbulls garantem que os cães são dóceis, contudo o histórico de ataques, em todo o Brasil, é algo que pesa contra eles.
O artigo 31 da Lei de Contravenções Penais prevê pena de prisão simples de 10 dias a dois meses ou multa para aquele que deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente ou não guardar com a devida cautela animal perigoso. Ainda incorre na mesma pena quem conduz animal na via pública pondo em perigo a segurança alheia. E isso é uma constante em Franca.
Nunca a mídia - e agora círculos oficiais e políticos - se ocuparam tanto de cães, ou melhor, de uma raça de cães. No fundo, é o eterno conflito dos humanistas e moderados contra a violência dos radicais que se impõem pela força. E o pitbull é seu símbolo. E símbolos são perigosos.
POSITIVO
Comovente a solidariedade dos francanos no episódio envolvendo a família passando dificuldades do Jardim Aeroporto II. A foto da menina Amanda, de 5 anos, foi publicada pelo Comércio e ela pedia uma geladeira para dar de presente ao pai, no Dias dos Pais e narrava as dificuldades que estavam passando, não tendo nem mesmo o que comer. O pai, cego de um olho, é pedreiro e não encontra serviço. A mãe tem que cuidar dos três filhos pequenos e não pode trabalhar. Isso foi o suficiente. Os francanos fizeram fila na casa dessa família e levaram não só várias geladeiras, como cestas básicas, caixas de leite, roupas, brinquedos, colchões, chocolates e até emprego para o pai.
NEGATIVO
A Rua General Osório, uma das principais vias de Franca liga o centro da cidade ao Bairro Estação, um dos mais populosos da cidade. Por essa razão o trânsito é intenso e, em certos pontos, o pedestre fica exposto ao risco de ser atropelado. Gostaria de sugerir à secretária Municipal de Planejamento Urbano de Franca, Valéria Marson, que tentasse andar pela calçada da General Osório, sentido Centro-bairro, entre as ruas Ouvidor Freire e Marechal Caxias. Certamente não vai conseguir. A calçada, naquele trecho, logo abaixo do Posto de Saúde, tem meio metro apenas e um poste da CPFL ocupa todo esse espaço. A única opção é a rua e de costas para o trânsito. É preciso paciência e muito cuidado para não ser atropelado quando se tenta transpor esse pedaço.
NU FRONTAL
Uma cena de nu frontal vivida pela atriz Pepita Rodrigues, que já não é nenhuma criança, virou o momento de maior constrangimento para quem já viu o filme O Dono do Mar, baseado em livro do senador José Sarney. Nunca se viu tanta nudez no cinema nacional paga por patrocinadores, como Petrobras, Eletrobrás, BNDES, Furnas, Banco do Nordeste, Vale do Rio Doce, Embraer, Santander, Alumar e Telecom. Nem o senador José Sarney gostou do que viu.
PIADA LEGAL
A Assembléia Legislativa parece acreditar que o telefone celular é o grande culpado pelos assaltos aos clientes de banco. O deputado Célio Moreira, que apresentou projeto proibindo o uso de telefone celular nas agências bancárias, porque os bandidos podem avisar aos comparsas, do lado de fora, quem sacou mais dinheiro, acha que esse seu monstrengo será aprovado. Se virar lei, vira piada no mesmo dia.
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