Ontem apresentei na coluna as razões da Petrobras para a aquisição da Suzano Petroquímica. Há outros enfoques relevantes que precisam ser considerados.
O Brasil tem estoque finito de capital. A Petrobras tem desafios enormes de investimento, previstos inclusive no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). E estava cumprindo um papel relevante de coordenadora dos investimentos de grandes grupos privados nacionais.
No setor petroquímico, há um desenho histórico, desde a privatização. Por ele não se misturariam as funções de fornecedor de matéria prima e de processadores. A Petrobras é a fornecedora universal. O segundo grupo ficaria sob controle de empresas privadas nacionais, tendo a Petrobrás como sócia.
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Ao se dispor a pagar pela Suzano Petroquímica 11,4 vezes o EBITDA, a Petrobras atropelou essa lógica. Pelo valor oferecido, foi como uma chamada “oferta hostil”. De um lado, provocou um primeiro ruído no mercado, referente ao valor.
No setor, internacionalmente os preços costumam ser de 5 a 6 vezes o EBITDA. Em circunstâncias especialíssimas, sete vezes. Saltou-se de uma oferta inicial de R$ 2 bi para R$ 2,7 pela Suzano. Houve muitas reclamações dos investidores – especialmente os internacionais – em relação ao preço pago e à falta de transparência da operação – no caso, carência de informações sobre a importância estratégica da compra.
De outro, empatou-se um capital pesado em um investimento que não irá agregar um tostão à capacidade instalada do setor ou aos investimentos brasileiros.
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Ao que tudo indica, a idéia da Petrobrás foi a de consolidar o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Havia dificuldade em atrair investidores, dada a dimensão do investimento - de cerca de US$ 8 a 9 bilhões.
Mas existem problemas de monta. Para que o pólo seja bem sucedido, haverá a necessidade da incorporação de um conjunto de empresas de segunda geração. A Unipar participa com a Suzano da Rio Polímeros; com a Brasken da Petroflex. Pelo acordo de acionistas, um dos lados tem direito de preferência de adquirir a participação do outro. Portanto, há um componente claro de risco para a Petrobrás nessa compra da Suzano. Se essa operação não for bem amarrada, a Petrobrás não conseguiria entrar na segunda geração como ator importante.
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Há algum tempo a Unipar adquiriu ativos da Dow Química, e anunciou a intenção de ser ator relevante na reestruturação do setor petroquímico, agora que foram resolvidos os problemas da sucessão do patriarca Paulo Geyer. Nesse arranjo, há o risco da Petrobrás comprar, mas não levar duas empresas importantes.
O segundo ponto é que a Petrobras estava se tornando em uma grande articuladora do capital privado nacional – em um momento em que há grande risco de internacionalização dos grandes grupos.
Se a Petrobrás resolver assumir o chamado protagonismo do processo, é mais provável que grandes grupos nacionais que têm bala na agulha considerem mais seguro investir fora, tal a desproporção entre eles e a Petrobrás. Em suma, há uma questão estratégica em discussão, que não pode ficar restrita à própria Petrobras.
Oi/Telemar
Ontem o presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) Luciano Coutinho admitiu que está em andamento estudo para eventual fusão da Brasil Telecom com a OI. O presidente da OI, Luiz Falco, informou nada saber sobre o assunto. O fato da operação ter saído do Ministério das Comunicações para o BNDES dá mais tranqüilidade ao setor, mas ainda existem muitas indagações no ar.
Convergência
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A próxima grande disputa corporativa no país será no setor de convergência digital. Existe uma Lei Geral das Telecomunicações de 1962; uma Lei da TV a Cabo de 1996. Com a convergência, voz, dados e imagem caminham para uma mesma estrutura: redes de fibras óticas transmitindo os sinais e tudo convergindo para o protocolo IP (da Internet). Hoje o setor de cabo setor está fechado para as empresas de telecomunicações.
Convergência
digital - 2
A grande beneficiária desse fechamento do mercado é a Net, empresa controlada pelo mexicano Carlos Slim e pela Globo. A Net sustenta que a abertura do mercado provocaria desequilíbrio, dada a desproporção entre seu tamanho e o das teles. As teles alegam que a Net pertence a um grupo - o Slim - que tem a Claro, Embratel e é dos maiores do planeta. Só a Net tem conseguido oferecer os três serviços simultaneamente.
Convergência
digital - 3
No México e Chile a penetração de TV a cabo é igual à da telefonia fixa. No Brasil, para 40 milhões de telefones fixos, em 30 milhões de domicílios. Hoje em dia o cabo atende 5 milhões de domicílios. Prevê-se que 20 milhões não tenham TV a cabo por falta de investimento das operadoras. A entrada das teles nesse mercado traria investimentos maciços em fibras óticas e ajudaria a acelerar a banda larga de fato.
Convergência
digital - 4
Hoje em dia, a banda larga das teles é um simulacro. Na verdade há uma fiação de banda estreita, em cobre, e equipamentos que ajudam a colocar mais dados na rede. Mas longe da capacidade da fibra ótica, que permitira assistir vários canais simultaneamente. Esse mercado é relevante já que o mercado de voz, na telefonia fixa, tende a desaparecer rapidamente, engolido pelo crescimento do celular.
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