Se você ouvir um batuque alto e cantorias igualmente altas de um grupo de homens e mulheres vestidos de branco e com instrumentos musicais cheios de enfeites coloridos na época do Natal, pode saber: é a Folia de Reis.
A Folia de Reis é uma festa religiosa de origem portuguesa que comemora o nascimento de Cristo, por isso é realizada na véspera e após o Natal. Esse folguedo chegou ao Brasil no século 18, com um caráter mais religioso do que de diversão, como acontecia originalmente em terras lusitanas e, com o passar do tempo foi se incorporando ao nosso folclore.
De acordo com o dentista João Batista de Lima, de 44 anos e que desde os 6 anos faz parte dessa tradição, que em sua família é forte, no período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 6 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade e também faz peregrinações à Zona Rural entoando versos relativos à visita dos Três Reis Magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas, que podem variar de um prato de comida a uma simples xícara de café.
“Depois da Quaresma, a festa perde seu sentido original, mas mesmo assim, fazemos o ano todo visitas e apresentações em várias cidades, pois muitas pessoas fazem promessas e, quando alcançam a graça pedida, pagam-na oferecendo almoços a grupos de Reis. Também participamos de encontros de Folia de Reis que ocorrem no Brasil inteiro”, conta João Batista, que é natural de Santo Antônio da Alegria (SP), uma cidade em que a tradição da Folia é muito grande.
“Meu irmão gêmeo, João Carlos de Lima, é meu grande parceiro nisso. Agora estamos colocando na Folia os nossos filhos João Pedro e Gabriel. Já que herdamos a tradição de nosso pai e de nossos tios, não podemos deixar que acabe”, explica ele. No dia 5 de agosto, durante as Cavalhadas, seis grupos de Folia de Reis se apresentaram no Parque de Exposições “Fernando Costa”, numa mostra de que, em Franca, a tradição continua mais viva do que nunca.
Os foliões Mário Santos Chaves e Domingos da Silva, que estiveram no Parque, confirmam essa paixão que a Folia de Reis provoca nos que dela participam “Há mais de 20 anos estou no Zé do Balaieiro (nome do grupo), que tem 40 pessoas. Gosto demais dessas apresentações e peço a Deus que não acabem nunca”, disse Mário Santos Chaves.
Pela quantidade de adultos e crianças que estiveram no Parque “Fernando Costa” para ver e ouvir os batuques, versos e cantos preservados de geração em geração em louvor a Jesus Cristo, a tradição da Folia de Reis, herdada dos colonizadores portugueses e desenvolvida aqui com características próprias, é uma manifestação de rara beleza que não deve acabar tão cedo.
COMO É A FOLIA
Os personagens somam 12 pessoas, todos os integrantes do grupo trajam roupas bastante coloridas. São eles: o mestre, o contra-mestre,os Três Reis Magos, o palhaço, o marundo, os bastiões e foliões. Os instrumentos utilizados são: viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros instrumentos.
Com sanfona, reco-reco, caixa, pandeiro, chocalho, violão e outros instrumentos seguem os foliões em longas caminhadas, levam a bandeira (estandarte de madeira ornado com motivos religiosos ) à qual têm especial respeito. Vão liderados por mestre e contra-mestre, figuras importantes dentro da Folia por conhecerem os versos: são os puxadores do canto.
Os foliões cumprem promessa de por sete anos consecutivos saírem com a Folia e arrecadam em suas andanças donativos para realizarem anualmente no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, festa com cantorias e ladainhas.
Durante a caminhada é carregada a bandeira do grupo, um estandarte de madeira enfeitado com motivos religiosos. O ponto alto da festa se dá quando dois grupos se encontram. Juntos, eles caminham em direção ao presépio da festa, o ponto final da caminhada. Com máscaras confeccionadas nos mais diversos materiais (peles de animais, tecidos, napa, tela de arame, cabaças, papelão, colagem de papel) e trajes vistosos, os foliões divertem a todos com seus saltos acrobáticos, dançando, declamando romances tradicionais, jogando versos decorados.
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