Não é pessimista a visão de alguns dos principais bancos internacionais em relação à economia brasileira.
No “Forex Report” de um deles, são identificadas mudanças fundamentais na forma de atuar do Banco Central, a partir da alteração na composição da diretoria, meses atrás, saindo economistas extraordinariamente ortodoxos, dando lugar a operadores de mercado mais pragmáticos.
Como conseqüência, o BC decidiu retomar os cortes de 0,50 ponto na taxa Selic. Cortando as taxas em um ritmo mais acentuado, o BC passou a atuar sobre o fator que mais impacta o câmbio, segundo o relatório.
Como se sabe, os investidores externos comparam a rentabilidade interna com as aplicações em títulos da dívida brasileira lá fora. Se as taxas internas forem superiores, eles trazem dólares para cá. Nos últimos anos ganharam fortemente em cima de dois fatores: taxas de juros mais a valorização do real.
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Com o dólar caindo abaixo de 2 reais e com a redução da taxa Selic, o BC se aproxima mais do nível de equilíbrio com as aplicações externas, diz o relatório.
Segundo o Report, permanece a tendência de valorização do real, em função da conta capital (taxas de juros em queda, mas ainda altas) e da conta corrente. Por isso, o banco mantém a recomendação da instituição para que os clientes continuem tomando risco cambial. Mas alerta que, com a queda das taxas de juros, os generosos prêmios pagos pela exposição ao real, em breve chegarão ao preço justo. Prevê o dólar na faixa de R$ 1,75. A partir daí o BC deverá ampliar os cortes da Selic para 0,75.
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Segundo o banco, a economia brasileira está menos exposta aos riscos do mercado “subprime” de hipotecas nos EUA. Aponta como sinais o patamar recorde de reservas (US$ 156 bilhões), o crescimento do PIB convergindo para 4,75% até o fim de 2007; o quinto ano consecutivo de superávit em conta corrente, apesar da valorização do real.
O relatório sugere menor exposição ao CDI (aplicações de renda fixa) e uma aumento dos investimentos em ativos de risco. Pela ordem, recomenda ações, câmbio e fundos multimercado. Para renda fixa, a recomendação é de neutralidade. Não recomenda papéis corrigidos pela taxa de inflação.
O relatório considera que ainda há espaço para a valorização das ações no país. Há uma medida de valor (a relação preço da ação dividida pelo lucro anual) que é de 10 vezes - bem menos do que em outros países emergente Além disso, é um dos poucos emergentes em que nem as taxas de juros locais caíram na proporção justificada pela queda dos “yields” (taxas de juros em dólares da dívida externa soberana), nem o crescimento do PIB real respondeu por completo à redução das taxas de juros.
Ainda é uma incógnita se a valorização das ações será resultado da apreciação do real ou do aumento de preços em reais (resultado do crescimento). Mas as duas pontas ainda são favoráveis.
PETROBRAS MULTADA
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deverá multar a Petrobras em R$ 91 milhões por não entregar gás para usinas termelétricas em julho. A Agência entendeu que a estatal descumpriu acordo assinado em maio em que a Petrobras se comprometia a entregar o insumo. Em agosto, a multa será o dobro, caso a estatal não comprove ter gás suficiente para cumprir o compromisso. Segundo dados preliminares da agência, as termelétricas deixaram de gerar 916 MW médios de energia no mês passado porque a Petrobras não entregou o gás. Dos 1.197 MW médios que foram determinados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema), as térmicas geraram apenas 281 MW médios. Procurada, a Petrobras disse que não comentará o assunto. Durante reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), na semana passada, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a estatal estaria cumprindo o acordo. Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, que também participou da reunião, a estatal teve dificuldades por causa dos Jogos Pan-Americanos, já que teve que fornecer mais gás para usinas do Rio para redobrar a segurança de abastecimento de energia no Estado.
IMPOSTO
A Receita Federal do Brasil liberou ontem a consulta ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física 2007 (ano-base 2006). Para saber se teve a restituição liberada, o contribuinte pode acessar o site da Receita ou ligar para 0300-789-0300. Os recursos estarão disponíveis para saques no dia 15 de agosto e terão correção total de 3,91%, correspondentes a taxa Selic de maio a julho e 1% de agosto. Neste lote serão liberadas 1.336.456 declarações, das quais 1.237.300 para contribuintes com direito a restituição, no valor de R$ 1,367 bilhão. Outras 65.241 pessoas tiveram saldo de imposto a pagar, correspondendo a R$ 96,7 milhões. A Receita apurou ainda que outros 33.915 contribuintes não tiveram nem imposto a pagar nem a receber. No primeiro lote foram contemplados todos os contribuintes com idade a partir de 60 anos. No segundo, a Receita liberou 851.934 declarações, das quais 735.453 para contribuintes com direito a restituição, no valor de quase R$ 1 bilhão. A Receita Federal também já disponibiliza em seu site a consulta dos retidos na malha fina do IR 2007. Neste ano, a Receita pegou 850 mil contribuintes com problemas nas declarações.
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