Entre cordas e prêmios


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Logo na entrada da casa, já se percebe que o morador é músico. O que era para ser uma sala de estar se tornou uma sala de estudos cheia de violões, pastas com partituras e caixas de som. Com um andar mineiro-menino-francano, Diego Figueiredo, de 27 anos, não demonstra ser quem fez a lenda viva do jazz instrumental, George Benson, se emocionar com os acordes de sua guitarra em uma adaptação de Round Midnight, do pianista Thelonious Monk. No Montreux Jazz Guitar Competition, realizada de 6 a 21 de julho na Suíça, Figueiredo perdeu o show da Norah Jones, mas conquistou as lágrimas de Benson, o segundo lugar da competição e o respeito de artistas de sucesso mundial. O músico francano chegou à cidade na semana passada empunhando uma guitarra Gibson de série especial, o prêmio por ser o segundo melhor guitarrista de jazz do mundo. Para chegar a este posto, Figueiredo disputou com 20 mil músicos inscritos de todo o mundo. Sete guitarristas foram selecionados para se apresentar no 41º Montreux Jazz Guitar Festival. Em primeiro lugar ficou o italiano Frederico Casagrande e, em terceiro, o francês Mike Reinarth. “Benson fez um discurso antes da final entre nós três e disse que não teria como julgar três estilos diferentes. E que só haveria primeiro, segundo e terceiro lugares porque era uma competição”. Figueiredo também tocou Blues for Mr. S., de Vitor Assis Brasil, e uma versão em jazz de Brigas nunca mais, de Tom Jobim. Em 2005, Figueiredo já havia participado da competição, que acontece como parte do maior e mais importante evento de música jazz no mundo, e ficou em terceiro lugar. No ano passado o guitarrista não participou porque estava em turnê com o cantor e compositor Belchior. “O nível da competição é altíssimo. E neste ano foi mais difícil do que em 2005. As técnicas se aprimoraram, todos os músicos são muito bons e cada um tem um estilo”. O francano pode não ter (ainda) o espaço na mídia nacional como tem o violonista Yamandu Costa, mas sua agenda lotada até o final do ano com shows internacionais comprovam a qualidade e a competência do som de Figueiredo. Ele se apresentará no Festival d’Oro Jazz, em Portugal, e depois segue para Londres, Barcelona, Paris, Gotemburgo e... “não lembro das outras cidades, preciso olhar minha agenda”, disse rindo o músico. Com técnica apurada e estilo único, parece ter sido fácil para o músico conquistar o posto de segundo melhor guitarrista de jazz do mundo. Mas não foi. Com a viagem marcada para a Suécia em cima da hora, Figueiredo teve muitos pedidos de patrocínio negado. “Pedi para a Secretaria Estadual da Cultura, para o ministro da Cultura Gilberto Gil e algumas empresas e não consegui. Apenas a Calçados Schio, indústria francana, me cedeu o apoio e possibilitou a viagem”. Antes de partir para mais uma turnê internacional, ele fará uma apresentaçã especial para os convidados à inauguração do complexo jornal Comércio da Franca e rádio Difusora AM, no dia 6 de setembro. No Festival de Montreux do ano que vem ele se apresenta, com o seu show, como convidado especial. Em janeiro, ele também toca como convidado especial em um congresso internacional de jazz nos Estados Unidos. Além dos shows, o viajado guitarrista ainda teve tempo de escrever um livro. Ele acabou de lançar Novos padrões, pela editora Irmãos Vitale. “É uma obra com partituras e dicas de improvisação para quem toca não só violão como qualquer instrumento”. Para este ano também estão programados os lançamentos do CD Diego Figueiredo Ao Vivo e do DVD do show gravado pela TV Câmara, no início do ano passado. O repertório é bem variado e vai desde chorinhos, MPB até composições próprias. Enquanto o CD novo e o DVD não chegam até o público, quem já é fã ou ainda não conhece o trabalho do segundo melhor guitarrista do mundo pode conferir os vídeos com apresentações de Diego Figueiredo que estão postados no site Youtube. Basta digitar o nome do músico no campo busca. A apresentação de Figueiredo no Montreux Jazz Guitar Competition já estão no site.

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