Sentir o vento no peito, cortar estradas, fazer amizades e ter a sensação de liberdade. Uma mistura de tudo isso pode justificar a paixão pelas motos. Cada vez mais comuns, os encontros de motos reúnem pessoas com o mesmo gosto pelo veículo. Em Batatais, mais de 20 mil pessoas compareceram à 6ª edição do Moto Fest no último final de semana.
Não importa se nas crianças, jovens ou idosos, os olhos brilham e as pupilas se inquietam com o cenário de máquinas possantes e vestimentas nada convencionais. No encontro, além das apresentações de bandas de rock, shows de zerinho e de wheeling, não faltaram, é claro, motociclistas e motoqueiros.
Mas qual a diferença entre a primeira e a segunda categoria? A paixão pelo potente veículo de duas rodas é a mesma, mas as diferenças existem e não são poucas. Por isso, ao abordar um deles, é bom que a primeira pergunta seja em qual das duas categorias se encaixa - motociclista costuma ficar irado quando é chamado de motoqueiro.
A atitude talvez seja a principal diferença. Motociclistas dizem que curtir a moto e, ao mesmo tempo, divulgar e transmitir princípios como fraternidade e igualdade fazem parte de sua filosofia de vida. Já os motoqueiros são mais radicais e descompromissados. Enquadram-se nessa categoria aqueles que, às vezes, “esquecem” que leis de trânsito existem (leia mais no quadro nesta página).
O office-boy Elias Antônio Barbosa, 22, concorda com a teoria e não tem dúvida na hora de se classificar: “Sou motoqueiro”. Recém-recuperado de seu último acidente (ele já sofreu muitos), que lhe rendeu uma fratura séria na clavícula e dezenas de escoriações pelo corpo, Barbosa tem a moto como companheira de trabalho e lazer. “Moto para mim é tudo. Como sou meio ‘doido’, digo que sou motoqueiro mesmo. É só saber que não é brinquedo e está tudo certo”, disse.
Acostumado a fazer viagens longas, os acidentes não o inibem. “O rapaz de carro é que não obedeceu ao sinal de ‘pare’ e me atropelou, quase que eu perco a vida. Os caras não nos respeitam, falta educação”, afirmou sobre seu último acidente, ocorrido há dois meses.
O casal Murilo de Andrade e Érica Vendramini, porém, classifica-se como motociclista. Eles saíram de moto de Cravinhos para conhecer a festa de Batatais. “Estamos gostando muito. É a primeira vez que viemos e, a partir de agora, vou procurar ir a mais encontros”, disse Andrade, completando que nada se compara ao barulho das motos em ação.
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