A Coréia do Sul e o Brasil já foram nações bem parecidas. Em meados dos anos 60, ambas apresentavam taxas de analfabetismo próximas a 35%. Hoje, quatro décadas depois, uma grande diferença separa os dois países. Os coreanos erradicaram o analfabetismo e colocaram cerca de 85% dos jovens na universidade.Já o Brasil mantém aproximadamente 15% da sua população no mais profundo analfabetismo e possui apenas 18% dos estudantes na faculdade.
TJB, aluno de 15 anos de uma escola pública de nossa cidade, que desde o ano passado tem o seu desenvolvimento escolar acompanhado por este jornal é prova do descaso que os nossos dirigentes têm com a educação. Um adolescente que não consegue ler algumas palavras e nem sua própria redação não poderia nunca chegar ao final do ensino fundamental.Sua situação deveria sim estar “sob controle” desde a primeira série do ensino fundamental e não só agora.
A dirigente regional de Ensino, Ivani Marchesi, afirma que ninguém passa de série ou avança sem ter um conteúdo compatível.Quais são os conteúdos essenciais para se chegar ao final do ensino básico, se a leitura e a escrita não são? Será que esse adolescente e outros 500 alunos da rede estadual de Franca considerados analfabetos, segundo a Diretoria de Ensino, não são ‘’reféns’ de um ensino público falido?
Desde a adoção do sistema de progressão continuada pelas escolas públicas de São Paulo, há alguns anos, o ensino piorou. Segundo especialistas, o sistema tem fundamentos teóricos bem delineados, mas, na prática, até hoje, não funcionou. Aliás, levou o nosso ensino ao caos.
Portanto, são necessárias melhorias urgentes nas escolas públicas . Afinal, uma nação que deseja progresso e crescimento precisa investir na educação. Sendo assim, quem sabe, resultados como os da Coréia do Sul poderão ser vistos aqui, a longo prazo, por nós brasileiros.
CAMILA BEGHELLI SCHIRATO é professora e integrante do Conselho de Leitores do Comércio
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