Uma cidade que cresce, como Franca, vê crescerem junto seus problemas: de saúde, de infra-estrutura, de segurança, de moradia e outros mais. O gestor público deve estar, obrigatoriamente, atento a estes crescimentos para que os problemas apresentados não se tornem insolúveis com o passar do tempo.
Segundo dados estatísticos amplamente divulgados pela imprensa municipal, as mortes por acidentes de trânsito são a principal causa mortis de pessoas entre 19 e 39 anos em nossa cidade. São pessoas que, em plena idade produtiva, perdem suas vidas, deixando para trás sonhos, anseios, famílias e muitas lágrimas.
É possível que, ao final de um ano ou, no máximo dois, sejam mortos em acidentes em Franca, o equivalente à capacidade de um airbus, como aquele que ceifou 199 vidas em São Paulo. A comoção pública no caso do airbus, uma grande tragédia, é concentrada no momento do fato; já a nossa comoção vai se diluindo ao longo dos dias e meses, nos quais se acumula esta trágica contagem, já que nos acostumamos com as notícias de 3 ou 4 mortes por final de semana. Do ponto de vista médico, a morte no trânsito é um fato tão grave, que poder-se-ia qualificá-la como epidemia. Isto sem falar no enorme número de pessoas que ficam com seqüelas, muitas vezes irreparáveis, incapacitando-as para o labor diário.
A pergunta que se faz, inicialmente, é: qual será a área de escape que o governo municipal está preparando para reduzir estes índices alarmantes de mortes no trânsito? Se está fazendo algo de concreto, esqueceu-se de nos avisar.
Os radares eletrônicos estão, há tempos, desligados; por que não colocá-los, novamente, em funcionamento? Lombadas, ciclovias, faixa de pedestres, maior fiscalização com policiais de trânsito nas ruas e, principalmente, um concreto programa de educação para o trânsito são medidas simples que, com um pouco de boa vontade, poderiam diminuir, consideravelmente, os índices de mortes no trânsito.
Basta que se saia às ruas para que se perceba a insegurança na qual vivemos. Se estamos de carro, temos que driblar pedestres desobedientes, motociclistas infratores e ciclistas distraídos. Se estamos a pé, corremos o risco de sermos atropelados por automóveis em alta velocidade, por motos a costurar pelas vias ou mesmo por bicicletas que, apesar de serem seus condutores sujeitos de obrigações no trânsito, muitas comportam-se como se estivessem em um parque de diversões. Se resolvemos, então, sair de moto, o problema passa a ser o desrespeito que têm alguns motoristas de carros, camionetas e caminhões que se sentem donos das ruas e podem, a qualquer momento, passar por cima de nós.
O trânsito em nossa cidade é um campo de batalha; a vida nas ruas tornou-se, literalmente, uma guerra. Vence quem for mais forte, ou tiver o veículo mais potente. É claro que este problema que aflige nossa cidade já foi enfrentado por outros municípios de porte equivalente. Que tal procurar conhecer as soluções de nossos irmãos de outras cidades para trazê-las também para nós?
Está certo que para a solução definitiva deste problema é preciso, prioritariamente, educação, mas o início e a coordenação devem estar nas mãos do Poder Público, sem o qual nenhuma ação repressora e preventiva poderá ter o sucesso almejado.
As associações, sindicatos (incluindo aí o Sindicato dos Médicos de Franca), organizações não-governamentais, empresas e demais instituições, certamente, gostariam de participar de um pacto contra a morte no trânsito. Cabe, porém, ao Poder Público iniciar ou incentivar esta caminhada.
Seria mais uma forma de abraçarmos uma Campanha pela Vida, com tolerância zero para infratores (tanto condutores quanto pedestres) e um eficiente programa de educação para o trânsito. Uma cidade bem administrada, certamente terá um trânsito mais bem resolvido.
MARCO AURÉLIO PIACESI é presidente do Sindicato dos Médicos de Franca e conselheiro do Comércio da Franca
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