Dos 9 aos 79 anos, três gerações de várias famílias orgulhosas e unidas pela mesma tradição que acompanha Franca desde 1839. As Cavalhadas reuniram, de acordo com a organização do evento, 5 mil pessoas no Parque de Exposições “Fernando Costa”, neste fim de semana.
Enquanto o público assistia à apresentação dos grupos de Folia de Reis e Congada, os participantes das Cavalhadas, com seus ajudantes, celavam e enfeitavam cuidadosamente os cavalos e arrumavam os últimos detalhes dos figurinos. Ismar Jacintho, 79, além de ser pajem de seu sobrinho Daniel Ribeiro Jacintho, 36, o mantena (rei) cristão, ensinava os mais novos sobre como colocar os adornos no local exato dos cavalos. “Foi meu avô Antonio Jacintho quem trouxe a Cavalhada para Franca. Corri mais de 30 vezes, já me apresentei em São Paulo e várias outras cidades. Tive que parar de correr em 1992 mas pretendo continuar ajudando enquanto eu puder”.
Se depender da vontade de Daniel, a tradição vai continuar. Ele correu pela 12ª vez no fim de semana e sua filha deve ser a princesa em 2009. “Acho importante preservar esse costume que começou, aqui em Franca, com meu tataravô”.
Enquanto o cavalo preto - um dos mais elegantes do recinto - era selado pelo pai, o médico Fernando Luz, 49, a princesa Júlia Lemos Luz, 14, recebia os últimos retoques no cabelo e na roupa da mãe Margot Lemos Luz, 52. O brilho no olhar e a preocupação do casal refletiam o orgulho de ver a filha à frente das Cavalhadas. “Eu já tinha participado na Dança dos Velhos e estava inscrita para ser princesa desde os 4 anos. Em 2005 eu venci o teste”. Na história da festa, a princesa, filha do rei mouro, é raptada pelos cristãos durante a guerra. Ela se converte ao cristianismo e convence seu pai a aceitar Cristo também.
Margot contou que seu bisavô conheceu sua bisavó em uma Cavalhada, em Passos (MG). Depois vieram para Franca e a tradição de participar do folclore continuou pelas gerações. “Estou muito orgulhosa de ver minha filha como princesa e que ela vai continuar com a tradição da família”. E a vida de princesa é bem agitada. Antes do início da cerimônia, ela posou para fotos com os integrantes das Cavalhadas.
Gabriel Anawate Filho e Samuel Martins Leite, de 9 anos, são primos e representaram o príncipe mouro e cristão, respectivamente. A pouca idade não atrapalhou as evoluções com os cavalos. Os pequenos seguiram a coreografia como se fossem adultos. “É uma honra correr com meu filho. Desde quando ele tinha um ano, ele me acompanha nos ensaios e começou a andar a cavalo bem novo”, disse Renato Antonio Leite, pai de Samuel.
Após a encenação da batalha entre os mouros e cristãos, que durou cerca de cinco horas, os participantes das Cavalhadas fizeram o torneio de cabecinhas e argolinhas. Os cavaleiros demonstraram agilidade e destreza e ainda receberam a homenagem dos familiares.
Para o ano que vem, a Divisão de Cultura e o Clube das Cavalhadas - organizadores do evento - prometem uma festa ainda maior. “Ficou evidente que a população aprecia e comparece quando são oferecidas boa opções culturais. Já estamos focando a próxima edição”, disse o diretor de Cultura, Sérgio Menezes.
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