Sobe Venezuela, cai Estados Unidos. Três anos foram suficientes para que ocorresse uma alteração profunda no ranking dos importadores de sapatos francanos. Se antes a terra do Tio Sam reinava isolada entre os principais compradores, o cenário vem mudando: embora ainda o maior, o percentual sobre as exportações para os EUA caiu de 50,80% para 26,57%. Em 2004, o País comprou US$ 114,9 milhões em calçados. Hoje, passada metade do ano, as importações norte-americanas não chegam a US$ 31 milhões. Com isso, o país continua sendo o maior importador individual, mas perde para o bloco da União Européia.
E quem ganha espaço é a Venezuela de Hugo Chávez, principal inimigo do presidente dos EUA, George W. Bush, na região. O vizinho, que era o 20º maior comprador há três anos, hoje ocupa a terceira colocação, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Só nos primeiros seis meses deste ano, o País comprou US$ 6,435 milhões, mais de quatro vezes o valor do ano de 2004, US$ 1,46 milhão.
Um dos que perceberam a atenção venezuelana sobre o produto brasileiro foi o diretor da Opananken, Geraldo Ribeiro Filho. “Lá o pessoal está com dinheiro. A Venezuela foi o país que mais visitou o estande da Opananken na Francal. E eles não procuram sapatos baratos, procuram qualidade”. Durante a Francal, uma grande rede venezuelana, com 800 lojas, procurou Geraldo interessada em comercializar os produtos da Opananken.
O presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), Jorge Félix Donadelli, ressalta que não é apenas a Venezuela o único país da região a comprar mais. “Curiosamente, quem está comprando bem são nossos vizinhos aqui da América do Sul”.
A queda de mercado para os Estados Unidos também foi notada pelo diretor da Agabê, Miguel Betarello. Segundo ele, 81% de sua produção na cidade é voltada para a Europa”. Produzo 2,2 mil pares, dos quais 1,8 vão para a União Européia. O mercado norte-americano não compensa mais. Na Europa, pela qualidade, ainda temos alguma condição de competir com o calçado da China”.
Outros países que subiram no ranking foram a Alemanha, que comprou US$ 2,25 milhões em 2004 e este ano adquiriu US$ 5 milhões e a China, que há três anos comprava US$ 2,35 milhões e hoje consumiu US$ 3,67, o que fez com que saltasse de 13º para 8º. Já a maior queda ficou com Japão, que passou de 2º para 5º, e Espanha, que em 2004 era o quarto maior freguês francano e hoje figura como o 7º.
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