Fim de semana, madrugada, rodovia, outra tragédia. Mais duas mortes. A onda de acidentes que assombra a cidade parece não ter fim. A cada dia, uma ocorrência ainda mais pavorosa. O desastre ocorrido nas primeiras horas de sábado foi impressionante: uma carreta carregada com 30 mil quilos de calcário bateu de frente a uma caminhonete S10. O carro foi arrastado por 150 metros e ficou com a parte frontal completamente destruída. Seus dois ocupantes, Geraldo Borges de Morais Filho, 44, e João Paulo Batista da Silva Freitas, 26, ficaram presos às ferragens e não tiveram a menor chance de sobreviver.
O acidente aconteceu na Rodovia Fábio Talarico (Franca/São José da Bela Vista) na altura do Distrito Industrial. A polícia não sabe ao certo o que aconteceu. O motorista da carreta disse que a caminhonete teria invadido a pista contrária. Os passageiros do veículo não sobreviveram para apresentar suas versões.
Geraldo e João Paulo eram amigos havia muito tempo. Naturais de Delfinópolis (MG), moravam e trabalhavam em Franca. Separado da mulher e pai de dois filhos - um garoto de 7 e um jovem de 20 anos - Geraldo era zelador do Edifício Gávea, situado na Avenida Sete de Setembro, Bairro São José. Solteiro, João Paulo era frentista do Posto Vitória da Avenida Brasil. Ele trabalhou até as 22h15 de sexta-feira e se encontrou com o colega logo depois.
A bordo de uma caminhonete S10 preta, foram se divertir na 21ª Festa do Peão de Guará (SP). O dia já estava quase amanhecendo quando decidiram retornar. Geraldo dirigia o veículo. Eram 4h10 e faltavam menos de 400 metros para chegarem ao trevo de acesso a Franca. No sentido inverso, vinha um Scânia branco com placas de Brasilândia (MS), conduzida pelo motorista Milton Donizete Zeferino Duarte, 41. Ele havia saído à meia-noite de Pains (MG) e seguia para São José do Rio Preto (SP), onde mora. Defronte uma placa indicando que a pista é dotada de fiscalização eletrônica, a colisão. “Foi tudo muito rápido. A caminhonete entrou na minha pista. Deu a impressão de que pretendia entrar pela contramão no trevo, ali. Pisquei o farol para alertar o motorista e puxei para o outro lado. Foi quando ele trouxe de volta e bateu no caminhão. É um susto muito grande, pelo amor de Deus. Dá até vontade de largar mão disso”.
Com a batida, os veículos ficaram acoplados e invadiram o outro lado da pista (sentido a Franca). Desgovernados, voltaram a cruzar a rodovia (sentido São José) e foram parar no acostamento, deixando para trás peças diversas. As rodas da carreta deixam marcas por um trecho superior a 100 metros na rodovia.
Apenas a traseira da caminhonete ficou intacta. A porte frontal se transformou num monte de ferros retorcidos, tornando difícil a identificação do veículo. Dois policiais da DIG retornavam de Guará e foram os primeiros a parar para dar socorro às vítimas. “Percebemos que o passageiro ainda respirava, mas ele morreu logo depois. Deu uma sensação de impotência por não poder fazer nada para ajudá-lo”, lamentou o investigador Nilson.
Os bombeiros chegaram rápido ao local. Nada mais puderem fazer, a não ser retirar as vítimas das ferragens. “Eles não tiveram a menor chance de sobreviver. O condutor sofreu traumatismo craniano e exposição de vísceras. O passageiro também teve múltiplas fraturas”, contou o tenente Castilho. Peritos da Polícia Científica coletaram informações ao longo da rodovia para tentar apurar as causas do acidente. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. Os corpos de João Paulo e Geraldo foram sepultados ontem no Cemitério de Delfinópolis, com trabalhos da Funerária Tedesco.
O número de mortes em Franca - 49 com a do professor Fausto Teodoro - é o tema de uma reportagem especial publicada nas páginas A-14 e A-15 desta edição.
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