De um lado do corner, amparado em uma ampla popularidade e com a reeleição quase certa, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Do outro, o deputado estadual Roberto Engler (PSDB), que cumpre seu quinto mandato na Assembléia Legislativa. Em disputa, o controle do partido na cidade.
Embora publicamente realcem votos de amizade, nos bastidores os dois antagonistas fazem um jogo pesado em busca de espaço político. Sidnei não esconde de ninguém que quer mais representatividade na sigla. Para ele, o domínio de Engler é prejudicial aos tucanos, que precisam de “novas lideranças”. “A disputa por espaço é natural. É preciso haver uma divisão de forças no partido para o bem da legenda, senão ela se acomoda, fica amorfa, morre”, disse.
Engler, por sua vez, parte para o ataque para conservar Rocha em seu canto do ringue. Primeiro, diz que sua liderança é “natural”. “Sou fundador do partido na região e tenho uma vivência tucana maior, diferente de Sidnei, que é tucano de última hora”, alfineta.
Ainda no ataque, diz que não admite abrir mais espaço ao tucano a não ser que tenha contrapartidas. “O prefeito está no PSDB, é o candidato natural do partido para a reeleição, mas, sobre a questão do espaço, será que não vale a pergunta recíproca? Será que o PSDB tem algum espaço na administração municipal? Por que não foi dado espaço ao partido? Eu fui conversar com ele depois das eleições majoritárias de 2006 e ele disse que precisava de mais espaço. Eu disse: no instante que você der mais espaço ao PSDB, você terá”.
Após receber o golpe, Sidnei não perdeu tempo e contra-atacou. Com elegância, lembrou a Engler que o partido já está representado no governo. “Eu não vejo a coisa como pessoal, vejo como partidária. 50% dos cargos da administração são de pessoas do PSDB. Eu fiz uma coligação com vários partidos e reservei 50% para gente do PSDB. Se essas pessoas não fazem parte do rol de amizades do deputado, aí é uma outra história. Que são do PSDB, são. Não me preocupei, em nenhum momento, em ver quem está ligado a quem em termos pessoais, mas sim em termos partidários”, disse.
ALIANÇA
Embora continue sem confirmar publicamente sua candidatura à reeleição, Sidnei Rocha costura, nos bastidores, uma ampla rede de apoios para garantir o segundo mandato consecutivo. Já tem ao seu lado o PMDB, que não tem candidato significativo para as próximas eleições locais, e, recentemente, colocou gente de sua confiança para “refundar” o PP local. João Marcos Rodrigues, presidente da Emdef, foi o escolhido. “É fato que gente de minha confiança reorganizou o PP e que eu tenho amigos no PMDB, mas não significa que esteja fechado com eles. A eleição está longe”.
Ainda nos bastidores, Rocha fechou, também, um acordo tácito com o deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB). Será apoiado por Ubiali em 2008 e dará o apoio para 2012. Sobre o assunto, o prefeito se cala, mas confirma a aproximação. “Hoje, por exemplo, estou muito ligado ao deputado federal Marco Aurélio Ubiali”, disse. Já o deputado declarou ao Comércio, na última semana, que seus planos estão realmente voltados a 2012. “Se for pra ser prefeito de Franca, quero ser em 2012, na sucessão do Sidnei Rocha”, declarou.
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