Avareza e falsas seguranças


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Neste domingo, a Palavra de Deus nos convida a revermos nossas opções e a não apoiar a nossa vida em falsas seguranças. Tudo é vaidade, diz o Eclesiastes e São Paulo convida os Colossenses a aspirar às coisas do alto. Jesus chama de loucura colocar a segurança unicamente nos bens materiais. É preciso usar os bens com discernimento e ter o necessário para viver. O que nos diz a Palavra de Deus neste domingo? A primeira leitura é tirada do livro do Eclesiastes. Esse livro marca uma fase de desenvolvimento do pensamento religioso de Israel. Surgiu no século III AC, em que o helenismo espalhava idéias novas, abalando a solidez das antigas crenças. O autor apresenta uma mensagem de desapego das coisas da terra. O refrão preferido é: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Apesar de afirmar que tudo é vaidade, o autor do Eclesiastes não parece pregar alienação, pois, lembrando a transitoriedade das coisas, faz notar os seus limites e alerta para o desapego delas. Na segunda leitura, da Carta aos Colossenses, o autor faz várias advertências, começando com a busca das coisas que dizem respeito à vida espiritual, na qual Cristo tem o lugar de honra ao lado de Deus. Os colossenses não devem preocupar-se com questões ligadas à vida terrestre, porque, batizados, morreram para elas. Agora a vida deles está escondida com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vida deles, aparecer no julgamento, então eles também se manifestarão na glória com ele. No Evangelho, Jesus ensina a atitude a tomar diante dos bens. Jesus conta a parábola do rico insensato; em seguida, aconselha seus discípulos a respeito da preocupação com a alimentação e o vestuário e exorta sobre a esmola. O homem da parábola já era rico. A colheita em abundância o faz pensar que a acumulação de riquezas o torna seguro por muito tempo. Mas ele não passa de um insensato, pois no meio de sua sorte, perde o sentido daquilo que realmente tem importância. Os bens criam esse tipo de ilusão. Imagina poder controlar a sua vida. Esquece que quem dispõe da vida é o próprio Deus: “Louco, ainda esta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” A morte prova que ele não é o dono certo de suas propriedades, as quais, no dia seguinte, podem pertencer a outros. Jesus mostra que não tem sentido acumular riquezas. E termina: “assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus”. SER ESCRAVO Jesus afirma que a vida não depende das riquezas. Os bens são necessários, porém não é correto viver em vista dos bens. Quando somos apegados nos tornamos “escravos” do que temos, não vivemos tranqüilos. Riqueza para Deus é convivência fraterna, é não gozar dos bens da terra só para si. Riqueza para Deus é repartir com os irmãos. SER LIVRE Somos livres quando não perdemos a alegria da vida por estarmos preocupados com o amanhã. Somos livres quando, de forma real, vivemos sabendo o que é “suficiente” para nós e que até hoje Deus nos deu, a cada dia, o necessário para vivermos. UM EXEMPLO Nesta semana a Igreja faz a memória de Santa Clara de Assis. Ela assumiu na sua vida o ideal de São Francisco. A verdadeira riqueza se mostrou na sua vida quando se desapegou dos bens e viveu a riqueza interior de cada pessoa. Nada lhe faltou, pois, passou a enxergar e a valorizar tudo que Deus criou para nós. MÊS VOCACIONAL O mês de agosto é, na Igreja do Brasil, um tempo dedicado mais particularmente às vocações. O primeiro domingo reflete sobre a vocação sacerdotal. Na raiz do sacerdócio existe o despojamento ao próximo. Deus escolhe pessoas do povo que se preparam para servir este mesmo povo, seus irmãos. A caridade ampla faz parte do ministério sacerdotal. CURA D’ARS A santidade, humildade e dedicação de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, é motivação para a vocação sacerdotal na Igreja. Ele que era desqualificado humanamente julgando, foi escolhido por Deus para se tornar modelo de dedicação a Deus e ao próximo. Ele era sábio na alma. É o patrono do clero.

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