Garota quer vender cabelo para ajudar pais a pagarem dívida


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Os longos cabelos da estudante Thábata Rodrigues Cunha, 14, demoraram cinco anos para bater na cintura. Castanhos, ondulados e brilhantes, sempre foram bem cuidados, hidratados com cremes e escovados várias vezes ao dia. Ter cabelo comprido era um sonho de infância, mas daqui a alguns dias, as madeixas não serão mais de Thábata. Para ajudar os pais a pagar dívidas, a jovem decidiu vender os cabelos. A família deve R$ 6 mil. A idéia partiu dela própria. Depois de uma prima conseguir R$ 400 com o negócio, decidiu fazer o mesmo com os seus 50 centímetros de cabelo. Thábata cortará bem curto e acredita que conseguirá R$ 300. Os fios não têm química - um cabelo virgem, como dizem os especialistas -, o que aumenta o valor e chances de venda. “Já ofereci para uma cabeleireira e ela gostou, mas precisava de 70 centímetros e o meu tem 50”. Thábata até pensou em usar o dinheiro para fazer uma festa de 15 anos. O aniversário dela será no próximo dia 23. “Já queria mudar um pouco o visual e, ao ver o desespero dos meus pais, pensei em fazer algo para contribuir. O que ganhar, não vai pagar tudo, mas já é alguma coisa”, disse ela. A mãe, a pespontadeira Lilian Cunha, 34, está emocionada com a postura da filha. “Fico orgulhosa com a iniciativa dela. Ela tem dó da gente, pensa nos pais. Isso é bom, pois tem tanto adolescente que só pensa nele e não liga para a família”, disse, com os olhos marejados. A família deve R$ 6 mil de cheque especial, cartões de crédito, empréstimos, contas e água, energia e prestação da casa onde moram no Parque das Esmeraldas. “A prestação da CDHU é de R$ 86. Não é alta, mas está atrasada porque não posso tirar da boca para pagar. Sem comida não ficamos”, disse o pespontador Reginaldo Cunha, 37, em meio a dezenas de boletos espalhados sobre a mesa. O casal trabalha com banca de pesponto em casa, mas diz que 2007 está “ruim de serviço”. “Se trabalhamos dois meses no ano inteiro é muito. Tirava em média R$ 1,2 mil por mês, mas para você ter noção, em julho, conseguimos só R$ 200”, disse Reginaldo. Com poucas encomendas para pespontar, ele diz que se atolou em dívidas. A expectativa é conseguir um pequeno fôlego com a venda do cabelo da filha. O telefone para quem se interessar pelas madeixas de Thábata é (16) 3701-6305.

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