Sair na calçada e olhar para a rua dos predinhos do City Petrópolis ainda é dolorido. Rever e tocar roupas, o tênis e o skate guardados de recordação ainda emociona a costureira manual Andreia da Silva, 36, mãe de Wesclei da Silva Bráulio. O garoto morreu aos 5 anos depois de ser atropelado por um ônibus ao correr atrás de uma bola no conjunto de apartamentos do City Petrópolis. “O Wesclei era a alegria da casa, uma criança que mexia demais comigo. Está tudo vazio”, disse a mãe.
O acidente aconteceu no dia 24 de fevereiro de 2007. A data mistura coincidências, tristeza e alegria. O dia marca o batizado de Wesclei, acontecido em 2002, seu aniversário de morte e o nascimento da irmã caçula. Yasmin, a terceira filha de Andreia e Renato Bráulio, 39, nasceu de manhã na Santa Casa e o primogênito morreu à tarde. O motorista que dirigia o ônibus era conhecido da família. O pai de Wesclei o ajudou a conseguir o emprego na Empresa São José e era ele quem dirigia o ônibus que Andreia tomou até a Santa Casa para ganhar nenê. “É uma data que nunca esqueceremos. É triste e alegre. Mas acho que não conseguirei ver a parte feliz e fazer festinha de aniversário para a Yasmin nos primeiros anos”.
Renato perdoou o motorista. “Deus quis assim. Acho que não tem culpa”. Andreia não consegue pensar assim. “Acho que poderia ter tido mais atenção no volante. Eu já até falei para ele que sou a mãe, gerei, carreguei o Wesclei comigo nove meses e é mais difícil perdoar. Rezo para conseguir desculpá-lo um dia”.
Com saudade do filho, os pais cuidam dos filhos Wendel, 8, e Yasmin e se dedicam à ampliação da casa. Com a indenização (DPVAT -seguro obrigatório) de R$ 14 mil, construirão mais um quarto na residência. O casal também ajuda a cuidar da sobrinha Suelen, 6, outra vítima de acidente de trânsito. Há um mês, a criança foi atropelada por uma moto, teve fratura exposta e continua com pinos na perna esquerda. Ela brincava com o primo Wesclei quando foi atropelado. “Ele chegou a chamar ela para correr na rua, mas ela não quis, ficou na calçada”, disse Renato.
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