Josimara Aparecida da Cruz, mais conhecida como Jô, tinha apenas 18 anos. Era uma jovem alegre, estudiosa e atenciosa com os familiares e amigos. Aceitar a morte dela tem sido uma luta diária para seu pai, o chapa José dos Santos, 44, e a madrasta, a doméstica Aparecida Donizete, 48, que criou a garota desde os 8 anos. “Está sendo difícil. Estou sem cabeça para trabalhar.
Fico pensando nela e como perdeu a vida”, diz Aparecida.
A jovem foi atropelada em 16 de julho quando se dirigia para o velório de um amigo, que havia morrido vítima de acidente no dia anterior. Já em frente ao Cemitério Parque das Oliveiras, tentava atravessar a Avenida Tristão Dalmeida, no Distrito Industrial, quando foi atingida por um ônibus escolar. Foi socorrida, mas morreu depois de chegar à Santa Casa.
Jô tinha muitos planos. Depois de conseguir emprego numa fábrica de calçados e ir morar com o noivo, pensava em se casar. A união deveria acontecer neste sábado, 4 de agosto. “Ela ainda não tinha nos contado sobre o casamento. Acho que faria surpresa. Ela sempre gostou de nos surpreender”, disse Aparecida.
José e a mulher disseram estar com dificuldades para dormir. “Fico lembrando dela à noite”. Uma das recordações mais fortes para o pai é da maneira como a filha cuidava dos cabelos. “Ela penteava e passava bastante creme. Ando pela casa e parece que estou vendo ela fazer isso. Era muito vaidosa”.
O último momento em família também deixa saudade. Josimara morreu segunda-feira. No sábado anterior, foi a um churrasco na casa do pai. A jovem se divertiu assistindo aos DVDs das bandas Calypso e Calcinha Preta, seus preferidos. “Dançou, abraçou, beijou e conversou com todo mundo, como se estivesse se despedindo. Foi uma despedida feliz”, disse Aparecida.
Josimara aproveitou para levar o terço dela para sua casa. “Ela pegou o tercinho e falou que levaria para ter ele para sempre ao seu lado”, disse o pai, emocionado. Josimara foi enterrada com o terço enrolado nas mãos.
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