Wescley, Josimara, Alexandre, Ednaldo... Eles não ganharam destaque nacional, não tiveram as fotos divulgadas em revistas ou programas de televisão. Eles têm as suas histórias, mas elas ficaram guardadas com familiares e amigos mais próximos. Eles também são vítimas de uma tragédia, mas que aconteceu de forma pulverizada e parece ter passado despercebida. Eles fazem parte de uma relação de 48 nomes. São pessoas que morreram por causa de acidentes de trânsito na área urbana de Franca ou em rodovias que cortam a região. A lista deverá ganhar pelo menos outros 30 integrantes até o fim do ano.
Em média, 80 pessoas morrem por ano em ruas, avenidas ou estradas locais. O número coloca Franca como a 59ª cidade do País onde mais se morre por acidentes de trânsito, segundo dados do Mapa da Violência nos Municípios Brasileiros, elaborado pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos). O número é praticamente o mesmo que se um avião Fokker 100 caísse todos os anos na cidade. Ainda para efeito de comparação, a quantidade de mortos equivale à metade da capacidade de um Airbus A320, semelhante ao que caiu em Congonhas no dia 17 de julho.
Na nossa tragédia, saem os aviões e entram os carros e as motos. No lugar dos aeroportos, ruas, avenidas e rodovias. Das 48 pessoas mortas nos sete primeiros meses do ano em Franca, 15 perderam a vida vítimas de atropelamentos. Esse foi o caso do garoto Wescley José da Silva Bráulio, menino de apenas 5 anos que foi atingido por um ônibus na porta de casa, no City Petrópolis. O acidente aconteceu no dia 24 de fevereiro, mesmo dia em que a irmã caçula do menino nasceu. Por ironia do destino, Wescley havia sido batizado na mesma data, cinco anos antes.
Um ônibus também mudou bruscamente os planos da sapateira Josimara Cruz. Se tudo tivesse ocorrido dentro do planejado, neste domingo ela estaria curtindo a lua-de-mel ao lado do marido. Pretendia se casar ontem, mas foi atropelada e morta há menos de um mês na porta de um cemitério. Foi atingida ao atravessar a avenida para conversar com dois amigos, que acompanhariam o sepultamento de, acreditem, uma vítima de acidente de trânsito. Nos textos desta página, é possível conferir mais detalhes das histórias das vítimas da tragédia local.
Para policiais e bombeiros, o elevado número de mortos no trânsito de Franca está diretamente relacionado ao comportamento dos motoristas. A imprudência é apontada como a principal causa.
Essa reportagem havia sido finalizada na noite de sexta-feira, mas teve que ser atualizada no sábado por causa de outro grave acidente, que deixou dois mortos na Rodovia Fábio Talarico.
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