<p>A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, em Brasília, implantou, em março de 2007, a Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro. A idéia é formar uma base de atuação conjunta no Congresso para pressionar o governo federal e tentar garantir condições de competitividade às empresas nacionais.</p>
<p><br />O deputado Renato Molling (PP-RS), representante da Região do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, foi o escolhido para presidir a bancada calçadista na Câmara. Na terça-feira, ele esteve em Franca para acompanhar a solenidade de Abertura da Fenafic (Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados). Ao lado do também deputado Marco Aurélio Ubiali (PSB), segundo secretário da Frente Parlamentar, reuniu-se com empresários locais.</p>
<p><br />Molling levou na bagagem uma lista com reivindicações feitas por representantes do setor de couros e calçados. Antes da viagem, falou com o Comércio e prometeu que a Frente Parlamentar será um poderoso instrumento de cobrança. “Precisamos que a equipe econômica do governo olhe urgentemente para a grave crise que atinge um dos setores mais importantes para a economia do País. O Governo precisa ouvir o nosso pedido de socorro”,disse. Confira os principais pontos da entrevista. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - O senhor conhece de perto as feiras realizadas no sul. Qual foi a impressão que teve da Fenafic?<br />Renato Molling</strong> - Muito boa, sem dúvida. Estive em Franca a convite do deputado Ubiali. Juntos, estamos lutando em Brasília para que esse setor tão importante da economia do nosso País possa sobreviver. A Fenafic me deu uma impressão muito otimista. As pessoas estão entusiasmadas e isso é muito importante. Os empresários sempre têm esperança de que, apesar das dificuldades, as coisas sempre vão melhorar. Nós temos essa esperança também e, por isso, estamos lutando para o setor continuar gerando emprego e desenvolvimento para os pólos calçadistas.<br /></p>
<p><strong>Comércio - O que pode nos falar sobre a Frente Parlamentar que preside?<br />Renato Molling</strong> - A Frente Parlamentar é formada por aquele deputado que tem alguma relação com o setor coureiro-calçadista e moveleiro. Colocamos o moveleiro, também, por ser um setor que emprega muito. Cerca de 200 subscreveram a proposta, mas perto de 40 têm uma atuação mais intensa. A Frente tem a força política, pois um deputado, sozinho, enfrenta dificuldades para fazer reivindicações. Juntos, é muito mais fácil. Tratamos das questões de interesse regional em conjunto, não só entre nós deputados, mas, também com entidades diversas, como foi o caso de Franca durante a semana. Dessa maneira, temos maior força para pressionar o governo. A gente sabe que o cobertor é curto, né? Então, aqueles setores que mais pressionarem de maneira organizada serão atendidos antes ou de maneira melhor.<br /></p>
<p><strong>Comércio - Qual é a principal bandeira defendida pela Frente Parlamentar hoje?<br />Renato Molling</strong> - Olha, nós temos, com a edição da medida provisória 382, que já colocou à disposição R$ 3 bilhões para os setores, reivindicado muita coisa. A questão do PIS-Cofins é uma delas. A partir de 2002, ele subiu de 3,5% para 7%. O pedido do setor é que as empresas calçadistas possam creditar sobre representação comercial, marketing e sobre a folha. Em função desses setores intensivos de mão-de-obra empregarem muito, é justo que tenham menos incidência. Hoje, é o contrário: quem emprega mais paga mais encargos. Outra reivindicação, muito difícil de ser atendida pelo governo, é a questão da desoneração da folha de pagamento, principalmente a questão do INSS patronal. Sabemos que, se desonerar de um lado, outros setores vão querem também. Isso, é muito complicado.<br /><strong></strong></p>
<p><strong>Comércio - O senhor acredita que possa haver uma reversão na questão do câmbio desvalorizado?<br />Renato Molling</strong> - Nós, da Frente Parlamentar, temos batido bastante nessa questão e o Ubiali é testemunha disso. Pessoalmente, acho que o dinheiro especulativo que está entrando no País, com esse juro alto e sem tributação, faz com que haja muito dólar no mercado. Os setores que não conseguem elevar seus produtos em dólar estão com dificuldades. Setores como minério de ferro, combustíveis e matérias-primas, que conseguem elevar, até não têm tantas dificuldades. No momento em que não conseguimos exportar, mais empresas vão brigar pelo mercado interno. Isso causa uma saturação e todos terão dificuldade. No momento em que resolver o câmbio, tudo melhora.<br /></p>
<p><strong>Comércio - Como conhecedor do pólo calçadista do Rio Grande do Sul, qual orientação daria para os calçadistas de Franca superarem a crise?<br />Renato Molling</strong> - Além de todo o trabalho que tem que se fazer em cima da redução dos custos e da carga tributária, as empresas precisam buscar mercados diferentes, precisam trabalhar muito em cima da marca, do conforto e da qualidade. Quem fizer isso, com certeza, vai sobreviver. Aquele mais barato, sem conforto e sem qualidade, dificilmente conseguirá competir com os chineses.<br /></p>
<p><strong>Comércio - A indústria calçadista vai vencer a crise e comprovar seu valor?<br />Renato Molling</strong> - Acredito que sim. O setor já venceu várias crises e, agora, não será diferente. Temos o melhor produto do mundo. Basta atualizar e buscar alternativas diferentes. Se o governo federal nos der competitividade, continuaremos crescendo e gerando emprego e renda.<br /></p>
<p><strong>Comércio - Como está a situação hoje no Sul?<br />Renato Molling</strong> - Nós temos dificuldades, mas isso é passageiro. Acho que a tendência é melhorar. Essa é uma época em que sempre há um incremento significativo nas vendas. Esperamos que o segundo semestre seja bastante positivo para o setor. Estamos confiantes. Acreditamos na capacidade dos empresários e faremos o que for possível no Congresso Nacional para ajudar.<br /></p>
<p><strong>Comércio - Na terça-feira, o senhor se reuniu em Franca com empresários do setor coureiro-calçadista local. Qual foi a finalidade do encontro?<br />Renato Molling</strong> - A reunião foi uma iniciativa do deputado Ubiali. Gostaríamos que outros integrantes da Frente Parlamentar também estivessem em Franca, mas não foi possível por causa do recesso. O objetivo foi mobilizar as entidades para nos unirmos. A intenção é fazer um intercâmbio da Frente com as entidades para, juntos, buscarmos as soluções. <br />As entidades empresariais têm a representação de buscar as reivindicações das empresas e elas, passando para nós as solicitações, vamos dialogar com o governo em busca das alternativas. O encontro em Franca também foi uma forma de mostrar que a classe política está ao lado dos empresários do setor. Queremos que a Frente integre, faça cada vez mais, que deputados se unam e defendam a iniciativa privada, o setor produtivo. No momento em que defendermos as empresas, estaremos defendendo o emprego. Não tem mais cidadania, hoje, do que ter emprego. <br />Um País para crescer precisa de emprego e esses setores intensivos de mão-de-obra, como coureiro-calçadista, têxtil e de móveis, são fundamentais para o crescimento do Brasil. </p>
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