Pacto nacional e objetivos


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Dizem que as guerras são o principal motor do nacionalismo. No final do século XIX e início do século XX, os EUA se converteram em nação - e em potência - guerreando. Enfrentaram espanhóis, mexicanos, ingleses. Depois, ajudaram na vitória aliada na 1ª Guerra Mundial. No Brasil, mesmo sem guerra, a figura do “inimigo externo” ou do “inimigo interno” sempre foi invocada em diferentes ocasiões, para fortalecer governos ou oposição. Não se recomenda guerra para unir nações. Nos EUA, além da guerra, uma espécie de missão histórica, defendida por pregadores religiosos, em muito contribuiu para o expansionismo americano. Invadiam-se países em nome da civilização. Por mais pérfido que pudesse soar, no plano interno funcionava. * * * Não é, nem jamais será o caso do Brasil. Mas urge encontrar bandeiras políticas que unam o País. A cada dia que passa, mais se amplia a radicalização e o fosso separando dois países: um sob influência da mídia; outro sob influência do lulo-petismo e do forte sentimento anti-mídia da população. É um jogo de perde-perde, em que os únicos vitoriosos são os oportunistas dos dois lados. * * * Em que pesem as melhorias na atividade econômica, o País continua sem rumo, tanto do lado do governo quanto da oposição. Se Lula houvesse montado uma política econômica imprudente, a economia poderia ter degringolado. Mas sua falta de coragem para montar uma política econômica pró-ativa fez a economia patinar. Agora, se comemora 4,5% de possibilidade de crescimento, contra 8% de crescimento, em média, dos países emergentes. * * * Nos últimos anos, em segmentos selecionados da opinião pública, sedimentaram-se convicções firmes sobre os rumos do desenvolvimento. Há valores bastante claros, como a questão da gestão e da qualidade, da pesquisa e desenvolvimento, o papel da inovação, a ênfase na educação, as políticas sociais, as novas possibilidades abertas pela agroenergia, os caminhos da integração continental. Mas tudo isso se perde nesse imensa zorra em que se transformou a discussão política, nessa radicalização que não poupa ninguém, nem País, nem a racionalidade, nem governo, nem mídia. * * * Se a intenção for 2010, é tiro no pé. O País radicalizado no governo Lula, persistirá radicalizado em qualquer outro governo que venha a sucedê-lo. A dificuldade que FHC encontrou com a oposição, Lula está encontrando e seu sucessor encontrará. E como se sai desse atoleiro? E como se une o País em torno de uma agenda comum? É uma sinuca de bico. Do lado do governo, há iniciativas pontuais louváveis em algumas áreas. Mas nada que permita compor uma agenda de nação, capaz de ser percebida por todos os setores. Do lado da mídia, uma radicalização absurda e fora de época. Começou com pelo menos três anos e meio antes da hora. O que se vai fazer? Manter durante todo esse período o fogo aceso? * * * Se houvesse lideranças responsáveis dos dois lados - governo e oposição - a esta hora estariam negociando uma trégua, um pacto em torno de objetivos comuns. Sem isso, o pessimismo vencerá a esperança. MEIRELLES Na primeira manifestação pública desde o início da atual onda de volatilidade nos mercados, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que vê com bons olhos o que chama de “correção saudável” de um otimismo que começava a parecer “exagerado” no mercado financeiro. “Até ousaria dizer que é melhor para o Brasil que a crise ocorra agora do que daqui a uns dois ou três anos. O mercado exuberante, durante mais alguns anos, poderia levar a algumas distorções de preços que poderiam ser custosas no futuro. Portanto, é melhor que ocorra logo”, disse Meirelles no seminário “Brasil 2020”, sobre perspectivas de longo prazo. Para ele, a crise pega o Brasil no momento certo. Se ocorresse antes, o País estaria despreparado; depois, os preços das ações estariam mais inflacionados e o estrago seria pior. “Qualquer turbulência é negativa. Mas, se tiver que ocorrer, melhor neste momento. O Brasil já tem melhores condições e muito mais solidez para enfrentar movimentos de aversão ao risco nos mercados”. Segundo Meirelles, a crise mostrou ainda que, apesar de críticas dentro e fora do governo, o BC acertou ao manter alto o nível das reservas internacionais - hoje acima de US$ 150 bilhões. MANTEGA O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que o Brasil tem um novo modelo de desenvolvimento em implantação. Durante uma reunião no Palácio do Planalto, ele disse aos membros do Conselho Político que o Brasil consegue, pela primeira vez, crescer e reduzir os problemas sociais. A apresentação feita ontem pela manhã destacou que o crescimento econômico em curso é acompanhado pela distribuição de renda, por uma maior inclusão social e pela redução das desigualdades regionais. Juntos, esses quatro fatores formariam o novo modelo de desenvolvimento nacional. O documento apresentado por Mantega tem o nome de Novo Ciclo de Desenvolvimento. Mantega avaliou que essa estratégia é respaldada pela política econômica e por iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento. O ministro aproveitou a apresentação para destacar a solidez dos indicadores econômicos e a resistência brasileira às turbulências internacionais. Mantega citou como exemplos dessa robustez o superávit comercial de 2006 (US$ 46 bilhões) e as reservas internacionais - de US$ 156 bilhões.

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