Amanda Teixeira de Melo tem apenas 5 anos e já possui um sonho. Mas não é ganhar uma boneca nova, um brinquedo da moda ou um estojo de maquiagem, o maior desejo da pequena menina é presentear seu pai, o pedreiro desempregado Arlei Rodrigues de Melo, 29, com uma geladeira.
Amanda mora em uma casa inacabada de três cômodos no Jardim Aeroporto II, junto com sua mãe, a dona de casa Luciene Teixeira Melo, 30; seus dois irmãos, Gabriel (3 anos) e Bruno (um ano e quatro meses), e o pai. A família passa necessidade. Com problemas desde criança, Arlei ficou cego do olho esquerdo e, por causa da deficiência, tem muita dificuldade para conseguir trabalho. “Faço uns bicos em construções quando alguns amigos me chamam, mas emprego registrado é difícil, pois na hora do exame admissional sou barrado”, conta Arlei. Luciene não consegue trabalhar porque precisa cuidar dos filhos ainda pequenos.
Sem renda, a principal refeição da família é arroz com feijão. Há mais de uma semana, eles não comem carne. “Isso é muito duro. Não tem como comprar frango ou bife para os meninos sempre. Só consigo quando arranjo algum trabalho o que não acontece sempre”, disse o pedreiro.
A pequena Amanda nem se lembra da última vez que comeu chocolate. “Faz tempo. Eu sempre peço para o meu pai trazer, mas ele diz que não dá. Eu fico com vontade”.
Animada com a chegada do Dia dos Pais, Amanda resolveu pedir um presente para Arlei: uma geladeira. A da família foi vendida há seis meses por R$ 200 para pagar as dívidas dos materiais de construção para erguer os muros da casa. Cansada de ver a mãe se queixando de não ter condições de comprar comida e o leite das crianças, Amanda fez o pedido à mãe. “A gente acha que criança não percebe, mas ela vê o que a gente passa. Ela me falou que queria sair para comprar a geladeira e um terno para o pai”, disse a mãe.
Nesta semana, Luciene viveu um dos momentos mais tristes de sua vida. Sem leite em casa (o que a família havia conseguido estragou por falta da refrigeração), teve de dar água com açúcar para Bruno, seu filho caçula. Ele acordou com fome no meio da noite e não havia o que oferecer a não ser a água. “Gasto de três a quatro litros de leite por dia para as crianças e, quando ganho, perco a maior parte porque não tenho como conservar o leite que acaba azedando. Naquela noite, não tinha mais nada, então fiz uma mamadeira com água”, contou com os olhos marejados de lágrimas.
Se conseguir o presente para o pai, a primeira coisa que Amanda colocará na geladeira será um iorgute. “Aí ele não vai estragar né”, disse a menina.
A apenas oito dias da data em que se comemora o Dia dos Pais, o sonho de Amanda parece estar longe de ser realizado. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento e Ação Social, Roberto Nunes Rocha, a prefeitura não tem condições de providenciar o eletrodoméstico. “A família precisa procurar a assistente social do Cras (Centro de Referência e Assistência Social) para que a situação de pobreza seja comprovada. Só depois de uma análise social, poderemos ajudar com alimentos e roupas. Agora a geladeira não tem como doarmos”.
Quem quiser ajudar a família de Amanda pode procurá-la na Rua Geraldo Rodrigues Carvalho, 1986, no Jardim Aeroporto II. O telefone de contato é da vizinha Rosineide (16) 3026-0236.
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