Exportação de sapato cai 27%


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O balanço do primeiro semestre das exportações calçadistas divulgado pelo Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) não é nada animador para a cidade. Franca teve uma redução de 27,31% nas exportações. Os pares de sapatos vendidos ao exterior caíram de 3,36 milhões em 2006 para 2,43 milhões este ano. A queda é quase quatro vezes maior do que a registrada no Estado, que teve redução de 7,77% no volume de pares exportados. Isso demonstra que o produto francano perdeu espaço na comparação com outros pólos. Ainda assim, Franca é a cidade que mais exporta. 54% de todo sapato enviado ao exterior é produzido na cidade. Em 2006, o percentual era de 67,05%. Não se sabe, contudo, se a queda nas exportações foi acompanhada pela redução da produção, já que o Sindifranca não divulgou dados sobre as vendas no mercado interno nem sobre o número de sapatos produzidos na cidade. Sabe-se, no entanto, que produtores francanos estão diversificando sua produção, de olho no mercado interno, para enfrentar a valorização do real. A fabricação de calçados femininos, que em 2006 chegou a 14% da produção, é um exemplo. Até então, não se tinha informações sobre a produção deste tipo de calçado, tamanha sua insignificância para o setor na cidade. Para Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindifranca, a queda foi causada pelo perfil do calçado da cidade, que tem uma vendagem melhor no segundo semestre. “O setor de Franca é um setor mais tradicional que já tinha negócio feito. Aumentou, mas eles não estavam exportando quase nada e começaram a exportar agora. Essa é uma suposição minha”. Ele não soube comentar, contudo, se há indícios de crescimento das exportações em outros pólos, como Jaú e Birigüi. Os sindicatos destas cidades também não souberam informar se houve aumento. DIVERSIDADE Pelo menos um ponto positivo esteve presente dos dados disponibilizados pelo Sindifranca. Houve, nos últimos anos, uma diversificação do mercado comprador de calçados francanos. A informação não é novidade para os empresários do setor, que em matérias publicadas pelo Comércio já informaram a mudança de destino de seus produtos. No entanto, não se tinha a intensidade que este processo vem tomando. O principal destaque são os Estados Unidos. Em 2003, 71,87% das vendas externas feitas na cidade iam para o país do Tio Sam. A participação foi caindo constantemente e, neste ano, o percentual de vendas para os Estados Unidos é de 40,95%. Um exemplo é a Sândalo, que em 2004 vendia 83% dos produtos exportados para os EUA. Hoje, o total vendido para o país é de 20%. “Na Europa e em outros mercados, consigo colocar em pequenas quantidades produtos com alto valor agregado. Nos Estados Unidos ele comprava produtos de baixo valor”, disse Teti Brigagão, diretor de marketing da empresa. Se a participação das vendas para os norte-americanos cairam, o sapato francano parece ter caído nas graças dos venezuelanos. Há quatro anos, o país de Hugo Chávez adquiria 0,20% da produção de calçados, partes e componentes exportada por Franca. Hoje, esse percentual já é de 9,76%.

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