Um mar de negócios


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Feira movimenta economia e oferece renda extra a famílias com serviços que vão de segurança a alimentação e hotelaria
Feira movimenta economia e oferece renda extra a famílias com serviços que vão de segurança a alimentação e hotelaria
Joziel tem apenas 9 anos. Nunca entrou em uma fábrica de sapatos e não tem a menor idéia de como se produz um calçado. Também não imagina como são os estandes da Fenafic, mas a feira, para ele, é um sucesso. Caçula de um time de seis irmãos, mora no Miramontes, bairro vizinho ao pavilhão. O pai é aposentado e a mãe, desempregada. Para ajudar no sustento de casa, o menino, uma irmã de 14 e outra de 15 anos ficam cuidando de carros e motos ao longo da Avenida Willian Azzuz. “Ganho uns R$ 15 por dia e dou o dinheiro para minha mãe”. A história de Joziel mostra como a Fenafic não é um bom negócio apenas para quem lida com calçados. O retorno financeiro reflete em vários setores da economia da cidade. A exemplo do personagem desta história, dezenas de outras pessoas se viram cuidando de veículos nas proximidades da feira. O pedreiro Itamar Morais, 41, resolveu dar um tempo na construção civil. Levou a mulher e um filho para ajudá-lo no serviço extra. “Para nós, a feira está ótima. Tiramos uns R$ 100 por dia. Dá para completar a renda familiar”. Os estacionamentos fechados, ao custo de R$ 10, são explorados pela AEAF (Associação das Entidades Assistenciais de Franca). Em média, 500 veículos se utilizam do serviço por dia, o que gera um faturamento de R$ 5 mil. “A Fenafic é muito importante para nós. A arrecadação será repartida entre entidades que trabalharam com a gente aqui”, contou o coordenador José Fernando. [FOTO2] Na porta de entrada da feira, muitos desempregados têm aproveitado o entra e sai de visitantes para distribuir folhetos com propaganda de serviços diversos. “Ganho R$ 20 por dia aqui. Sou aposentada e aproveito para ganhar um dinheirinho extra”, contou Mariluy Moura, 50. Funcionárias de uma empresa de panfletagem, Tatiane Souza e Daiane Barcelos, ambas de 24 anos, deixaram a área central e foram trabalhar diante do pavilhão. “Aqui, está muito melhor. É movimento o dia inteiro”. Empresários, dinheiro circulando, pessoas dispostas a gastar. Basta dar uma circulada pelas proximidades para encontrar garotas oferecendo “momentos de prazer em ambiente de alto nível, agradável e total segurança”. O panfleto distribuído por elas traz, para quem é de fora, um mapa indicando a localização da casa de prostituição e a melhor via de acesso. Dentro da feira também não é difícil encontrar quem fatura mesmo não tendo o mínimo contato com calçados. Cerca de 600 pessoas passam pelo restaurante todos os dias. Em média, são servidas 100 refeições diárias ao preço de R$ 8. Também são vendidas 500 unidades de salgados ou lanches, ao custo de R$ 2 cada. “O movimento está excelente, acima da expectativa. A feira é de alto nível mesmo”, avalia o comerciante Sérgio do Val. Até mesmo o “rei da noite”, Luciano Carvalho, tirou uma casquinha da Fenafic. “Meu movimento aumentou esta semana. Sem dúvida, a feira ajudou muito. Bem que a organização poderia encerrar o expediente mais cedo para o pessoal aproveitar o happy hour com a gente”, brincou. Se quem pega carona no vácuo da Fenafic comemora, quem participa efetivamente do negócio também não tem do que reclamar. A feira voltou a registrar grande movimento, ontem, fazendo com que corredores e estandes ficassem lotados. Segundo a organização, 6.050 pessoas passaram pelo pavilhão, recorde de visitação em todas as edições da feira. Quando os portões foram fechados às 20 horas, quase uma centena de visitantes ainda estava do lado de fora e não pôde entrar. A projeção inicial de um total de 13 mil visitas já foi ultrapassada. “Todos os expositores estão satisfeitos, pois fecharam vendas e encaminharam pedidos”, afirma Arsênio de Freitas, presidente da Fenafic.

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