Quando o governo quer resolver ‘lhufas’ marca uma reunião. Profetas do desencanto, reunidos em dezembro passado, já mostravam preocupação quanto ao desempenho do Aeroporto de Congonhas e os riscos que apresentava a pista 35, a mesma onde pousou para a morte a aeronave da TAM, vôo 3054.
O brigadeiro Jorge Kersul Filho em recente declaração a CPI do Apagão, conta que reunidos naquela data, a Infraero, Anac, Cenipa e companhias aéreas, decidiram por medidas de interdição dessa pista quando chovesse, e sua reforma para a melhorar a segurança.
O oráculo foi proferido nestes termos: “Tudo leva a crer que teremos um acidente em Congonhas”. Naturalmente, como profecias foram feitas para acontecer, tudo colaborou para o fato.
A ‘gorducha’ Infraero, estatal com 26,5 mil funcionários, que teve salários de dirigentes aumentados em 50%, como adicionais de férias 17% a mais do que o que recebem os reles mortais celetistas, não recapeou devidamente a pista com as devidas medidas de segurança. Pasmem, encareceriam o custo da obra! Com esse raciocínio tem se mostrado mui econômica essa tal Infraero, quando se trata do bem comum. Obras superfaturadas estão sendo objeto de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. De acordo com a cultura hedionda da corrupção vigente, tem que fazer serviço ‘porco’ e barato, para sobrar mais para todos.
O Planalto, pelas suas atitudes, dá a entender que já decidiu quem são os culpados pelo acidente aéreo da TAM do vôo 3054. Imperícia do piloto que não está mais aí para se defender aliada à falha mecânica da aeronave. Enquanto ardiam as labaredas em Congonhas, um esquema de “blindagem” ao governo, provavelmente arquitetado afim de que o risco de ser lançado ao fogo do julgamento popular, não atingisse o primeiro mandatário da nação. Por outro lado, o poder econômico representado pelas companhias aéreas, defende-se, afinal um reverso que não funciona, pode sustentar o avião “em perfeitas condições” para vôo, conforme afirma o presidente da TAM, em recente entrevista ao O Estado de S. Paulo, na edição de sábado passado.
Indiscutivelmente, um profundo desrespeito e descaso com os cidadãos. Isto só vem confirmar privilégio da ganância, da voracidade do capital em detrimento de vidas preciosas. Por outro lado, o setor público considera o povo como o resto, esquecendo-se que ele os elege e paga suas altíssimas contas!
Caríssima, neste caso, foi a conta debitada às famílias que perderam seus amados, filhos e filhas, que não voltaram das férias, dos negócios, enfim, sonhos que foram lançados à fogueira alimentada pela incompetência, ganância, omissão e corrupção mais uma vez. Esperanças que desaparecem entre as cinzas e dessas cinzas pode renascer o medo, então parafraseando Loyola, se tiver medo... relaxa e morre!
AO “CUMPANHEIRO”, COM CARINHO
Conta um ‘cumpanheiro’, que por ocasião de uma manifestação do Movimento dos Sem Terra (MST) no Planalto, onde faziam reivindicações ao presidente da República, o senador Renan estava em um cantinho da Sala do Povo, acabrunhado e abatido.
Comovido com o estado de abatimento do senador, o presidente discretamente aproxima-se e sussurra ao seu ouvido e para que ninguém desconfiasse da mensagem sigilosa, resolveu falar em inglês: ‘Cumpanheiro, fique tranqüilo, no final ‘I book your face’”.
SE A MODA PEGA
A governadora do Pará (Ana Júlia Carepa, PT), com muitas broncas da oposição, decreta ponto facultativo, para todos os servidores públicos do Estado nas sextas-feiras de julho, período de férias escolares.
Declara que, na cidade de Belém, uma coisa que é ‘tradicional e cultural no mês de julho, pessoas deixarem a capital rumo às praias, para reabastecer suas energias e depois voltar à rotina de trabalho e estudo’.
Prefeito ve o que dá pra fazer aqui no município, é certo que não temos praias, mas temos ranchos (sic).
PAUSA PARA O CAFÉ
Café em dose dupla, com Hélio pai, Hélio filho, e o espírito que é santo, de amor ao próximo, no comercial de TV, em beneficio da APAE. Têm em comum com a APAE a ética e o compromisso com o bem comum, suando a camisa em campo e na vida. Café com sabor de gratidão e orgulho, com gotas de mirra, e algumas pétalas de gardênia azul!
QUALQUER SEMELHANÇA
‘Os movimentos socialistas são, ainda hoje para os governos dinásticos, antes agradáveis do que atemorizantes, porque graças a eles estes recebem nas mãos direito e espada para medidas de exceção, com as quais podem atingir suas assombrações propriamente ditas, os democratas e antidinastas’. Por tudo aquilo que publicamente odeiam, tais governos têm agora uma secreta afeição e amizade: Nietzche (1844).
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