Credores aprovam recuperação da Samello


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Vista da fachada da Calçados Samello, sem produzir desde outubro de 2006: credores aprovam proposta de pagamento e produção pode ser retomada nos próximos meses
Vista da fachada da Calçados Samello, sem produzir desde outubro de 2006: credores aprovam proposta de pagamento e produção pode ser retomada nos próximos meses
A Calçados Samello ganhou novo fôlego em seu processo de recuperação judicial. Seus credores aprovaram por unanimidade, em assembléia realizada ontem, a proposta de pagamento de dívidas apresentada pela empresa. Com isso, a Samello terá agora tempo para levantar recursos e efetuar os pagamentos dos débitos, que ultrapassam R$ 90 milhões. Os primeiros acertos ocorrerão ainda em agosto (leia mais ao lado). Animada com a aprovação, a diretoria retificou a intenção de recolocar a marca no mercado até o fim do ano. Desde outubro do ano passado, a produção está parada. De acordo com o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, a discussão com os credores foi tranqüila e a aprovação aconteceu sem sustos. A proposta da empresa contou com aprovação da maioria dos credores, que estavam divididos em trabalhistas (ex-funcionários e prestadores de serviços), com garantias reais (bancos) e quirografários (fornecedores). “Tivemos apoio tanto pelo número de credores como pelos valores dos créditos que eles têm com a Samello”, disse. “Só temos a agradecer pela confiança”. A aprovação foi maciça. Dos mais de cem presentes, das três categorias, somente dois votaram contra. Até mesmo os donos dos maiores créditos, BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) e Finep (Financiadora de Projetos), que na primeira chamada da assembléia apresentaram empecilhos, fecharam com a Samello. A situação, antes da assembléia, era delicada. Se os credores rejeitassem o plano de pagamentos, o juiz decretaria a falência da indústria. Agora, com a seqüência da recuperação na Justiça garantida, Mello Neto afirmou que o objetivo é retomar a produção. “Vamos trabalhar para desmobilizar bens e levantar capital de giro. Até o fim do ano, seja por licenciamentos, terceirização ou produção própria, recolocaremos a Samello no mercado”, disse. AOS POUCOS A aprovação do plano é o primeiro passo, mas não garante tudo. A partir de agora, a Samello iniciará uma desgastante luta contra o relógio. Há previsões de pagamentos para os próximos 12 anos e o cumprimento de todas as condições propostas é preponderante para a continuidade do processo de recuperação judicial. A expectativa de redução da dívida também ilustra bem a situação. Se tudo correr dentro do esperado, os atuais R$ 90 milhões serão amortizados gradativamente e, em 2019, ainda restarão débitos de aproximadamente R$ 20 milhões.

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