Monitorar a linha de produção da fábrica direto de casa ou em alguma viagem pelo Brasil ou exterior, pela internet. Essa é uma situação que o empresário do setor calçadista poderá vivenciar em breve. Fabricada exclusivamente para ser lançada na Fenafic, a máquina Molina Advance, para montar os bicos dos sapatos, ainda não começou a ser comercializada, mas é uma das atrações da feira no estande da empresa Poppi, de Franca.
Mais parecida com um robô e com monitor acoplado, a máquina memoriza modelos utilizados na linha de produção e pode mudar de um a outro com um simples toque no monitos, sem trocar nenhuma peça. Ela ainda conta com injetores automáticos de cola. Ou seja, o operador não precisa passar cola na palmilha antes de colocar o sapato na máquina. Para melhorar, a quantidade e até onde passar a cola é possível controlar no monitor. “Basta fazer a programação dos modelos que você vai fabricar e ela está pronta para o trabalho”, disse João Batista, do departamento comercial da empresa.
Os ganhos com a Molina, explicou Batista, vão além da tecnologia de ponta. A máquina economiza de 3 a 4% os gastos com cola e couro. O preço do equipamento ainda não foi estipulado, mas já existem empresários que querem fazer o teste na linha de produção.
A Molina chama a atenção dos visitantes, mas não é a única na Fenafic. Ao todo, são 35 empresas expositoras de máquinas para todas as etapas da fabricação de calçados. Os expositores são de Franca, Rio Grande do Sul e do exterior, como Holanda, Taiwan e Itália.
A italiana Comellz é uma delas. Ela fabrica uma máquina de corte que promete agilizar a produção industrial e reduzir a mão- de-obra. O equipamento, que tem mais de dois metros de comprimento, corta a laser cerca de 3,6 mil peças por hora. Pode ser programado para qualquer tipo de modelo. Sozinha, ela faz o trabalho de oito cortadores de couro e só precisa de dois operadores.
Em Franca, apenas uma empresa conta com a máquina. No Brasil são 80. O número reduzido da máquina no País pode ser atribuído ao preço: US$ 118 mil. João Gil Wisbecki, técnico especializado no equipamento, conta que a economia em energia e couro também é grande. “Em relação ao balancim comum ela economiza de 12 a 15% do couro”.
As novidades em equipamentos para corte, pesponto, bordados e acabamento são muitas e tomam tempo do comprador. “Queria conferir a funcionalidade de uma máquina de pesponto apenas, mas não dá para sair daqui sem conhecer as novas tecnologias de equipamentos de outros setores da produção”, disse o empresário Mozair Gustem, de Jaú. Ele ficou cerca de quatro horas apenas nos corredores de máquinas.
Ainda ontem, o empresário testou e aprovou o equipamento que estava em busca: uma máquina de pesponto computadorizada. O equipamento também é novidade na feira e custa R$ 8,9 mil e faz o trabalho auxiliar de cortar linha e arrematar a costura. Izak Júnior, vendedor, explicou que a máquina evita a quebra de lançadeira, de agulha, o desperdício de linha e proporciona mais qualidade e agilidade na fabricação do calçado. Fabricada na China, mas com tecnologia alemã, ela promete ser um dos investimentos dos industriais. “O preço é maior que as máquinas comuns, mas em compensação a manutenção técnica é bem menor”, explicou Júnior.
Embora haja interesse dos visitantes pelos equipamentos lançados na feira, os negócios nem sempre acontecem de imediato. João Batista, da Poppi, explica que os fabricantes querem testar as máquinas fabricando os produtos e, por isso, os contatos ainda são maiores que a compra imediata. “Não fechamos negócios na feira. Estamos aqui para apresentar o produto”, disse.
CONFECÇÕES
Máquinas para confecção de lingerie também são novidade na Fenafic. Neste ano, a Fromaq trouxe o equipamento e, para inovar e apresentar seus produtos, montou uma miniprodução de lingerie no local. “Trouxemos máquinas para calçados, mas queremos mostrar também que a indústria de Franca está se diversificando”, disse Luziano Fróes, sócio-proprietário da empresa. Segundo ele, há pelo menos 70 indústrias que fabricam lingerie na cidade.
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