O terreno fica numa rua inclinada. Ao lado, há poucas casas e vários terrenos baldios. Faz três anos, Adriana Silva, 31, e Erlândio Silva, 32, compraram a área no Jardim Luiza II e se mudaram com os quatro filhos de 13, 12, 8 e 7 anos para fugirem do aluguel. Quando chegaram, construíram uma barraca com lonas e viveram sob o plástico por três meses. Na tentativa de melhorar, fizeram um cômodo nos fundos. Sem orientação alguma, a construção não tem condições de segurança e corre risco de desabar. A família pede ajuda para viver num local livre de perigo. A Prohab (Divisão Pró-habitação de Franca), Secretaria de Planejamento Urbano e Secretaria de Ação Social não têm controle de quantas famílias moram em casas com risco de cair.
O cômodo feito por Adriana e Erlândio tem cerca de 30 metros quadrados, é escuro, sem janelas, com chão de terra e serve de quarto, sala e cozinha. O banheiro fica num quadrado à parte, mas não tem chuveiro nem porta. Para segurar o telhado, há apenas ripas e um toco no meio. “É por fé que a casa e o banheiro não caem. Quando chove, as telhas balançam e fica cheio de goteiras”, disse Adriana.
Engenheiros da Prefeitura estiveram no local e disseram que a casa tem de ser demolida por causa do risco de desabar. A Assistência Social sugeriu aos moradores que deixassem a casa e fossem para o Abrigo Provisório, mas eles não quiseram sair. “Ela disse que pelo menos as crianças deveriam ir, mas não fico sem meus filhos”, disse Adriana.
O casal quer derrubar e refazer a residência, mas diz não ter dinheiro. “Preciso de pedra, areia, ferragem, tijolo para levantar uma casa”, disse a moradora. A família já pediu ajuda à Prefeitura, mas não pôde ser atendida por dívidas com o município (leia mais ao lado). “Faz oito meses que estou esperando os materiais. A assistente social fala que tem que esperar. Fazer o quê, gente pobre sempre tem que esperar”.
Por mês, a renda deles é de R$ 500. Adriana recebe benefício por ser aposentada por invalidez (só tem 20% de visão), Bolsa Família e Renda Mínima. O marido vende mercadorias nas ruas. O dinheiro conseguido ajuda a cobrir as despesas. Às vezes, ele troca os produtos por alimentos, como óleo, leite. De gastos mensais, têm a prestação de R$ 213 do terreno, contas de água (R$ 45), energia (R$ 30), comidas e remédios.
Adriana, Erlândio e os filhos moram na Rua Valdivino Peres Nogueira, 3319, querem continuar no endereço, mas pedem ajuda. “Só tem um jeito de conseguir outro lugar para morar: pedindo materiais para os outros e alguém para fazer a casa. Não tenho R$ 50 por dia para pagar pedreiro”, disse Adriana Silva.
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