Credores decidem hoje futuro da Samello


| Tempo de leitura: 3 min
O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello, disse estar confiante na aprovação do plano de recuperação nesta tarde
O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello, disse estar confiante na aprovação do plano de recuperação nesta tarde
Os credores da Calçados Samello decidem hoje, às 15 horas, o futuro da indústria. Em assembléia, decidirão pela aceitação ou não do plano de pagamento proposto pela empresa à Justiça. Se o plano for aprovado, o processo de recuperação judicial, iniciado em novembro, terá seqüência. Em caso de rejeição, a Justiça poderá decretar o encerramento da ação e a falência da Samello. A reunião acontecerá na sede da empresa, que deve, no total, mais de R$ 90 milhões e está com a produção parada desde 16 de outubro do ano passado. De acordo com a Lei de Falências, a Samello precisa ter maioria dos votos em pelo menos duas das três categorias de credores. São elas bancos, fornecedores e trabalhadores (ex-funcionários e prestadores de serviços, como bancas de pesponto). Caso consiga o apoio de somente uma, o juiz poderá decretar, automaticamente, a falência. Se duas aprovarem o plano, o juiz tem autonomia para determinar a continuidade da recuperação. A assembléia já deveria ter sido realizada em 2 de junho, mas não houve representatividade entre os credores e a Justiça remarcou, em segunda chamada, para hoje e determinou sua realização com qualquer número de presentes. Na oportunidade, somente os trabalhadores atingiram o quórum legal. Poucos representantes de fornecedores e bancos compareceram. No caso dos bancos, especificamente as estatais BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), justamente os maiores credores da Samello, com créditos de, respectivamente, R$ 8 milhões e R$ 6,5 milhões, não compareceram à primeira assembléia. Segundo advogados da Samello, a ausência foi estratégica, visando a ganhar tempo e negociar as condições apresentadas pela Samello. Vários contatos foram realizados entre o jurídico da empresa e as estatais e, segundo o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, houve avanços nas negociações. “Conseguimos evoluir nas conversas com estes credores e estamos praticamente certos de que eles virão à assembléia aprovar o plano”, disse. EM ACORDO Mello Neto afirma que fornecedores e trabalhadores estão fechados com a Samello e vão aprovar o plano de recuperação. “Já mostramos que nossa intenção é a melhor possível ao antecipar 50% de saldos de salários (de setembro, outubro e novembro do ano passado) aos funcionários que, pela lei, poderíamos ter pago em setembro. Estou certo que teremos apoio deles e dos outros credores”, disse Mello Neto, referindo-se aos R$ 512 mil pagos a 753 ex-empregados na semana passada. O dinheiro para os acertos foi obtido com a venda de um terreno do grupo, localizado em frente à fábrica da Samello. Embora o valor da negociação não tenha sido divulgado, especula-se que a área foi vendida por R$ 3,2 milhões. Os outros 50%, segundo ele, serão pagos aos ex-funcionários 30 dias após a eventual aprovação do plano, ou seja, no dia 1º de setembro. “É o que a lei determina e um compromisso nosso de sempre priorizar nossos colaboradores”, disse. Os outros trabalhadores e prestadores de serviço terão de aguardar a venda de novos imóveis ou de uma retomada de produção para receber seus créditos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários