Para não votar em despreparados


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Apesar de nossa herança cultural, europeus que queriam enriquecer e voltar para casa, vivemos uma democracia e uma liberdade de imprensa e de opinião, mas ainda estamos elegendo gente despreparada para nos governar e representar. Não me refiro somente à escolaridade, porém à incapacidade de muitos vereadores e deputados compreenderem o estão votando põe o país em um estado de estagnação triste. Lamentavelmente, muita gente vota em semi-analfabetos, em pessoas que não conseguem compreender um texto simples, o que dirá de um texto de lei. Obviamente, ou aceitarão sem criticar ou imporão obstáculo desnecessário. A culpa maior é do eleitor. Temos que convencer o eleitorado a votar em gente melhor, mais preparada e, preferencialmente, escolarizada. Já escrevi, anos atrás, que em épocas de eleição, ouvimos muitas promessas, cheias de intenções, vazias de conteúdo. Como esperar que façam algo bom? Há candidato à reeleição que nem proposta tem. Fiquei muito indignado, pois como pode gente que tem formação do segundo grau e gente com nível superior não exigir dos candidatos nenhuma proposta? Quando vamos comprar algo, um carro usado por exemplo, perguntamos muitas coisas. Verificamos tudo, a começar pela procedência. Queremos um certificado ou uma vistoria da loja que vende, se não tiver, levamos a um mecânico de confiança, vasculha-se a lataria e a pintura. Queremos opções de pagamento, com data e valor. Em outras palavras, queremos um ‘Plano’. Esse é o momento para que os futuros candidatos a prefeito façam o seu ‘plano’ para a cidade. Há tempo para uma análise bem detalhada da cidade, seus problemas e suas potencialidades, e de elaborar projetos bastante minuciosos, o que fazer, em quanto tempo, quanto vai custar, qual a fonte dos recursos e os ganhos para a cidade, sejam econômicos, sociais, e políticos. Quais são os projetos para reduzir os impostos da cidade? O que planeja para diminuir os custos da máquina pública? Como pretende promover o desenvolvimento? Que ações sociais o candidato fará para aliviar o sofrimento dos mais pobres? O que fará para melhorar a escolaridade das crianças? Como pretende motivar e qualificar professores? Como envolverá os pais dos alunos na árdua tarefa da educação infantil? Como pretende capacitar a mão-de-obra. São Carlos, Piracicaba, São José dos Campos são exemplos do que iniciativas educacionais fazem em uma cidade. Não se pode esquecer da segurança. Que os candidatos escrevam o que querem fazer e que os abram antes das eleições. E que mostrem como tratarão a economia da cidade, como atrairão investimentos internos e externos. Tudo que fizer será nulo se a economia não avançar. E que cada cidadão comece a cobrar aqueles que almejam um cargo eletivo, que planejem e mostrem o que querem. E que o eleitor não seja mais o pato da vez. MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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