Xô, má fase


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A Fenafic (Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados) começou ontem prestigiada por políticos e com recorde de público
A Fenafic (Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados) começou ontem prestigiada por políticos e com recorde de público
Duas horas de atraso, discursos vazios, mas a esperança de boas vendas. A terceira edição da Fenafic foi aberta, ontem, em Franca, com o objetivo de aproveitar o vácuo das vendas fechadas durante a Francal e abastecer as indústrias calçadistas com máquinas e componentes. Até a próxima sexta-feira, os 223 expositores estarão apresentando as novidades do setor para compradores nacionais e importadores. A estimativa dos organizadores é receber 13 mil visitas durante o evento. A abertura da Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados estava marcada para as 14 horas no Pavilhão do Dharma, localizado na Avenida Willian Azzuz, Bairro Miramontes. Em função do atraso da chegada à cidade do governador José Serra (PSDB), a solenidade teve início às 16 horas. Foi rápida e sem surpresas. Políticos, empresários e representantes de entidades do setor estiveram presentes. Os deputados estaduais Gilson de Souza (DEM), Roberto Engler (PSDB) e Luiz Carlos Gondim (PPS), e os federais Renato Molling (PP-RS) e Marco Aurélio Ubiali (PSB) fizeram parte da mesa de honra. Coube ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB) dar as boas-vindas aos visitantes. Aproveitou a presença de José Serra e criticou o governo federal. “Só contamos com o senhor. A equipe econômica não encontra saídas para ajudar”. Arsênio de Freitas, presidente da Fenafic, foi o próximo a falar. Nervoso, agradeceu os apoios recebidos e fez uma crítica velada, fazendo lembrar o rompimento com a direção da Francal, parceira nas duas primeiras edições da Fenafic. “Para aqueles que duvidaram do nosso potencial, demos continuidade ao projeto. A Fenafic apresenta 15% de crescimento em relação ao ano passado. Aqui, a palavra crise não será mencionada de forma alguma”. Sem esconder a pressa, mas mantendo o bom humor, José Serra falou pouco, cumprimentou os organizadores pela feira e voltou a repetir - com menos veemência -, as críticas feitas ao governo federal durante a abertura da Francal. “O setor vence pela sua competência e capacidade de enfrentar as adversidades. Estamos num mundo de concorrência e o Brasil vai perdendo sua posição relativa por causa disso. Na verdade, é uma responsabilidade da política econômica federal”. O governador elencou medidas adotadas pelo Estado em favor do setor calçadista, como a redução de 18% para 12% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a construção de Fatecs e escolas profissionalizantes em cidades pólos. Prometeu implantar uma Faculdade de Tecnologia em Franca. Na parte final do discurso, dirigiu-se aos empresários de couro e calçados e elogiou o empenho deles em manter as indústrias gerando empregos e renda. “Contamos com a sua persistência e teimosia em sobreviver e progredir apesar do clima econômico adverso. Vocês têm, também, do seu lado, o governador de São Paulo. Não é apenas por questão de posição pessoal, não. Como governador, nossa obrigação é defender aqueles que produzem com competência, seriedade e dedicação, como é o caso do setor calçadista. Vocês têm a mim, junto, nessa batalha”. José Serra visitou alguns estandes, tirou fotos com fãs e concedeu uma rápida entrevista coletiva antes de retornar para São Paulo. Segundo Arsênio de Freitas, o primeiro dia de feira foi positivo. A visitação melhorou sensivelmente após as 18 horas. A organização informou que cerca de três mil pessoas passaram pelos corredores do pavilhão. Expositores ouvidos pela reportagem também fizeram elogios e demonstraram otimismo em fechar boas vendas.

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