Essa atoarda da chamada grande mídia em relação à situação do País está extrapolando os limites do razoável.
Faço parte do grupo de analistas que julga que o País está perdendo a maior oportunidade da História. Falta plano de vôo, pensamento estratégico, sucumbiu-se aos desígnios do mercado, deixou-se iludir e não se aproveitaram as oportunidades extraordinárias trazidas pelo boom da China.
Mas não é disso que os grandes jornais se queixam. Pelo contrário, têm aprovado incondicionalmente essa política econômica que permitiu aos detentores de capitais, nesse primeiro semestre, um dos maiores ganhos da História, e que continuou consumindo parcela expressiva do orçamento público em detrimento dos investimentos.
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No entanto, desde o acidente com o avião da TAM - que, ao que tudo indica em decorrência de problemas técnicos e/ou falha humana - parece que nada funciona no País. Como assim?
É facílimo manipular a opinião pública, ainda mais quando se juntam veículos com poder de mercado.
Se se quiser medir o poder de manipulação da informação, montem-se dois grupos de leitores. Alimente-se o primeiro com noticiário exclusivamente negativo. Não precisa ir muito longe.
Se um brigadeiro diz que a pista de Cumbica está ruim, e todas as associações de pilotos e usuários dizem que não, dê destaque apenas à declaração do brigadeiro. Em cada Ministério será possível encontrar falhas que, colocadas em manchetes, joguem quaisquer méritos para segundo plano.
Ao segundo grupo, forneça apenas notícias positivas. Fale dos superávits da balança comercial, como se nada tivesse a ver com efeito-China. Celebre a apreciação do câmbio, como se fosse sinal de saúde da economia. Mostre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o PAC da Tecnologia, o PAC da Saúde, o PAC da Educação. Destaque os recordes sucessivos do setor imobiliário, o bom desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, e esconda todos os setores que estão sendo dizimados pelo câmbio.
O primeiro grupo achará que tudo está perdido e o segundo que o País está à beira do paraíso. Toda essa diferença em cima de uma mesma realidade, valendo-se apenas do poder de manipulação da informação.
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Quando se tem equilíbrio, se mostra o certo e o errado, passa ao leitor objetividade e, ao governo, pressão certa. Analisa-se um problema localizado e cobra-se a sua solução.
Quando se cria essa zorra em que, aparentemente, nada funciona, a intenção não é resolver nada. Ao leitor desnorteado por tantos problemas apresentados simultaneamente, sem nenhuma proposta de solução, a única alternativa que ocorre é mudar tudo. Como? Pedindo a cabeça do responsável maior pelo suposto caos: o Presidente da República.
Aí se geram dois efeitos simultâneos, ambos radicalizantes. De um lado, um público indignado, querendo a cabeça do presidente. Do outro, um público indignado, querendo o fígado da mídia.
Pior: quando a crítica a Lula extrapola e assume ares de campanha sistemática, desarma todas as críticas relevantes que deveriam ser feitas aos inúmeros problemas reais que existem na administração pública.
Até onde irá essa marcha da insensatez, não sei.
INDICADORES
Recentemente, houve um movimento pouco noticiado pela mídia em geral. Uma ONG paulistana juntou outras associações com a seguinte proposta: um levantamento amplo de todos os bancos de dados sobre o município para a criação de indicadores. Nas próximas eleições, tentarão com que os candidatos se comprometam com metas objetivas, como redução do analfabetismo, das doenças, melhoria dos indicadores de segurança.
BALANÇA
Continuou balançando, mas não cai o mercado internacional. Em geral, após um grande tombo há um período de oscilação em que, a um período de quedas, sucede-se um ou dois dias de recuperação, depois mais queda, até se estabilizar. Ontem era dia de recuperação nos EUA, quando surgiu a notícia de que uma grande financiadora imobiliária pararia suas operações. A partir daí, as bolsas perderam o rumo.
DESENVOLVIMENTO
Marcada para o final de agosto em Cuiabá, a Bienal do Agronegócio pretende tirar um acordo inédito entre todos os associados e empresários do agronegócio. Um pacto de sustentabilidade dividido em três partes: no primeiro ano, reciclar 100% as embalagens de agrotóxicos; no segundo ano, formalizar em 100% o trabalho nas fazendas; no 3º ano, retirar-se de todas as áreas de preservação ambiental.
JUROS E JUROS
O superávit primário consolidado no primeiro semestre do ano atingiu R$ 71,674 bilhões, ou 5,90% do PIB. No mesmo período do ano passado o superávit foi de 5,17% do PIB. Nos doze meses até junho, o superávit primário somou R$ 104,664 bilhões (4,30% do PIB). Só o pagamento de juros consumiu R$ 78,854 bilhões, ou 6,49% do PIB. No primeiro semestre do ano passado, os os juros foram foram de R$ 81,640 bilhões (7,38% do PIB).
VISÃO DOS BANCOS
Pesquisa conduzida pela Febraban junto a 43 instituições financeiras revela que a expectativa de crescimento do PIB aumentou de 4,27%, na pesquisa anterior de junho, para 4,55%. Com a Selic e o novo mercado de crédito, os bancos devem registrar no 1º semestre lucro equivalente a todo o ano passado.
CHINESES
O maior revendedor de materiais de construção de Cuiabá passou a importar ladrilhos da China. O produto atravessa o Atlântico, desembarca em Paranaguá, paga os impostos de praxe, tem custos de transporte até Cuiabá, e ainda chega 30% mais barato do que os similares brasileiros.
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