Esperava-se que os sertanejos mais antigos fossem sumir com o boom dos “novos” caipiras. Mas, a verdade é que eles estão aproveitando a boa maré da nova geração sertaneja para também retornar com força total aos palcos. “Essa onda animou os sertanejos que já iam ‘pendurar a chuteira’”, conta Geno, que há 37 anos faz dupla com Gino.
O locutor da rádio Difusora Élcio Fernandes, do programa O Fino do Sertão, transmitido às quintas-feiras das 20 às 22 horas, disse que o estilo sertanejo universitário surgiu há oito anos e, além de cativar o público jovem, também conquista os mais velhos com as regravações de sucessos antigos, como Ainda Ontem Chorei de Saudade, de João Mineiro e Marciano, regravado por Edson & Hudson, Guilherme & Santiago, Rionegro & Solimões e César Menotti & Fabiano.
A dupla Ruan & Rafael é um exemplo do sucesso do estilo em Franca e região. Com 13 anos de carreira e com o quinto CD prestes a ser lançado, eles mudaram suas composições para conquistar a platéia. “Há 30 anos não existia internet e poucos tinham TV. As músicas eram longas e contavam histórias, hoje as pessoas não têm mais tempo para prestar atenças na letra inteira. O refrão precisa ser fácil e curto”, disse Rafael.
Com essas adaptações, Ruan & Rafael fazem shows desde em festas de peão até em repúblicas, em toda a região. “Nós nos adaptamos para agradar ao público mais jovem. Em shows pequenos, como em repúblicas, nós tocamos no estilo acústico, sem muita produção. É uma forma de divulgação corpo a corpo do nosso trabalho que dá muito resultado”, disseram os cantores.
Assim como Ruan & Rafael, nomes consagrados como César & Paulinho, Teodoro & Sampaio e Duduca & Dalvan mesclam bom humor, romantismo e música de raiz. Nessa moda, que traz César Menotti & Fabiano como o nome mais em evidência no cenário sertanejo nacional, a galera do chapéu aproveita o embalo e cai no gosto do público mais jovem.
Fernandes explicou que a música de raiz conta histórias do modo de vida de antigamente, já as músicas de hoje trazem temas variados, desde festa de peão até as mais românticas. O ritmo não é mais apenas embalado pela viola caipira, o som ganhou bateria e guitarra, no chamado “batidão”.
“É certo que eles se inspiraram em nós. Apesar de já aparecermos de vez em quando antes, essa galera ajudou para que ganhássemos espaço na mídia e nas vendagens de discos”, declarou Geno. Eles andaram meio sumidos, mas voltam animados, aproveitando que as casas de shows e as rádios estão apostando na levada universitária.
Por serem irreverentes e muitas com duplo sentido, as composições do estilo sertanejo universitário ganham com facilidade a aprovação dos mais jovens. “Eles gostam das letras divertidas e quando reunidas com um ritmo de bailão, o sucesso é certo”, contou o parceiro de Duduca, Dalvan, que, após 21 anos da morte de seu primeiro companheiro, volta à cena apostando no ritmo dançante da nova geração.
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