Engana-se quem pensa que Lula é um ingênuo. A demissão de Waldir Pires, mais que um ‘momento difícil’, é uma jogada de mestre. O nome de Jobim reluz como ouro aos olhos de Lula. Nomear Jobim significa entre outras coisas, acalmar o PMDB, mantê-lo sob controle político e principalmente causar um frio na barriga dos mineiros do grupo de Aécio Neves.
É do conhecimento de todos que Lula quer ‘vencer’ a próxima eleição. Ele próprio já declarou isso. Diz que não será candidato, por força da lei, mas não se furtará do direito de lançar um candidato com o seu apoio.
Também se sabe que um nome do PT pode não ter muitas chances, principalmente numa chapa estilo ‘puro sangue’. Mesmo com nomes fortes dentro do próprio partido, a idéia de Lula é manter uma base aliada capaz de garantir a tal da governabilidade.
Juntando-se a isso o caos aéreo dos últimos dez meses e uma comoção social sem precedentes por conta dos últimos acontecimentos o nome de Jobim é inhambu na capanga. Se ele conseguir resolver o problema, então teremos um xeque-mate.
Lula é um mestre da política de longo prazo. Soube esperar como ninguém até ser eleito presidente. Sabe que um dia após o outro é o melhor remédio para muitas feridas. E sabe também que política se faz com sangue e suor, mas principalmente com astúcia.
Lula sempre quis Jobim próximo a ele. Na eleição passada agiu sutilmente para que o ‘amigo’ não se lançasse candidato, parecia prever o futuro.
Agora resgata, afaga, elogia, enaltece. Com um pouco de sorte Lula pode até se eximir da responsabilidade pelo acidente. Alguém vai dizer que foi o reverso, a rebimboca da parafuseta ou sei lá o que e tudo segue como antes ou até melhor. É nisso que Lula aposta.
A oposição, se é que ela existe, assiste à manobra e de maneira cortês aprova a nomeação. Não podia ser diferente, Jobim foi ministro de Fernando Henrique, ele que também foi alçado ao posto de presidente graças a uma estratégia semelhante a que agora se avizinha.
Nos próximos dias e meses entraremos definitivamente em campanha eleitoral para a Presidência da República. O Planalto deve viabilizar as ações do novo ministro da Defesa com recursos e apoio político. E a oposição, se é que ela existe, será convidada a dançar no ritmo ditado pelo chefe maior da nação.
Será um show à parte, a catástrofe dará lugar à pirotecnia política.
ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integrante do Conselho de Leitores do Comércio
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