Tragédia anunciada


| Tempo de leitura: 3 min
Os números do trânsito no Brasil refletem uma verdadeira tragédia, uma autêntica guerra civil: são mais de 30 mil mortes anualmente, além das milhares de pessoas que são acidentadas e carregam pelo resto de suas vidas os traumas destes acidentes. Os custos para o país são enormes: além das marcas terríveis para as famílias dos acidentados, os custos recaem sobre todos nós, contribuintes, pois os gastos do sistema público de saúde e da previdência com acidentes cresce a cada dia, hospitais públicos vivem cheios de acidentados. O prejuízo causado pelo número de horas perdidas de trabalho e as despesas para consertar os veículos afetam as pessoas e as empresas. Durante os quatro anos do governo atual, morrerão no trânsito francano mais pessoas que no acidente da TAM. Só por isso percebe-se que o desmantelamento da equipe técnica do serviço de trânsito em Franca pelo prefeito Sidnei Rocha foi desastroso, sempre criticando demagogicamente uma imaginária ‘indústria da multa’. Temos que ver o outro lado da moeda: cada radar instalado, cada equipamento eletrônico de segurança, significava mais segurança para as pessoas. Significava menor chance de um acidente acontecer. E basta perceber que aqueles que reclamam de serem multados são aqueles que não respeitam as leis do trânsito, portanto não respeitam as outras pessoas, que querem paz e segurança no trânsito da cidade. São aqueles que querem correr demais e colocam em risco a própria vida e a dos outros. Quem cumpre a lei, segue as velocidades permitidas, obedece à sinalização, este não tem nada a temer, não vai ser multado. Todas as estatísticas, em todas as partes do mundo, demonstram claramente que quanto mais equipamentos de segurança eletrônica são colocados, menos acidentes acontecem. A sinalização eletrônica tem um aspecto punitivo, sim, mas também tem o educativo: após levar uma multa, todo motorista fica mais atento para não incorrer de novo no erro e pagar por isso. É exatamente por isso que dizem que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso... Franca, hoje, tem mais de um carro para cada casa que existe na cidade, e o número de veículos na cidade só está aumentando. Sem planejamento e educação permanente para o trânsito, como hoje, quanto maior ficar a cidade, mais carros teremos e maiores serão as distâncias dentro dela. O centro da cidade, que tem quase 200 anos, não tem como suportar o crescimento indefinido deste número de carros, é por isso que o transporte coletivo tem que ser cada vez melhor, seguro e barato. Enquanto isso, o prefeito Sidnei autoriza aumento da tarifa sem contrapartida na melhoria dos serviços. É por isso que temos que melhorar as calçadas da cidade, porque há muitas viagens que são feitas a pé, mas o atual prefeito não fez investimento algum em calçadas e uma micharia em ciclovias. O Código Nacional de Trânsito vai levar algum tempo para melhorar o trânsito nas ruas, mas sua aplicação e respeito por todos, governo, motoristas e pedestres, é o caminho certo para reduzirmos as mortes estúpidas de tantos, principalmente jovens, e tornar nossas ruas e avenidas lugares mais seguros e bonitos de viver. O caminho percorrido pelo prefeito Sidnei Rocha até aqui, no entanto, infelizmente não tem sido promissor. MAURO FERREIRA é arquiteto

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários