Milhares prestigiam Parada Gay


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Parque ‘Fernando Costa’ fica lotado na 1ª Parada Gay de Franca: além de homossexuais, travestis e lésbicas, famílias inteiras compareceram ao evento no domingo
Parque ‘Fernando Costa’ fica lotado na 1ª Parada Gay de Franca: além de homossexuais, travestis e lésbicas, famílias inteiras compareceram ao evento no domingo
Sol, frio, música eletrônica, paetês e muita animação. Franca mostrou no último domingo não ser uma cidade tão preconceituosa quanto imagina boa parte da população. Famílias com muitas crianças, idosos e adolescentes se reuniram a drag queens, transformistas, travestis, gogo boys e homossexuais em geral na 1ª Parada Gay local, realizada no Parque de Exposições “Fernando Costa”. Lá, observaram cenas que dificilmente veriam pelas ruas, como beijos entre homens, travestis em trajes sumários e muita ferveção. O número de participantes diverge, e muito, entre o estimado pela Polícia Militar e pela organização do evento. Para a PM, entre 4 mil e 5 mil pessoas entraram no “Fernando Costa” anteontem. Já o responsável pela Parada, Gilberto Mendes de Almeida, chegou a anunciar a presença de 16 mil pessoas. No entanto, seja qual for o número de presentes, o movimento foi acima do esperado tanto para a PM quanto para o movimento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros). “Fiquei surpreso com tantas pessoas que estiveram aqui. Fiquei alegre com a participação da população”, disse Gilberto. Para entrar no evento, que se diferenciou das demais paradas por ser em um local fechado, era necessária a entrega de um quilo de alimento não-perecível. No entanto, a portaria foi aberta a todos que queriam participar da festa. Os volumes arrecadados e as entidades que serão beneficiadas serão anunciados hoje. Só para se ter uma idéia do número de participantes, a 1ª Parada Gay em São Paulo reuniu duas mil pessoas em 1997 e, em dez anos, tornou-se o maior evento do gênero no mundo. Este ano, o público da festa foi de 3,5 milhões. Entre as atrações, um trio-elétrico com muita música eletrônica que agitou os participantes das 14 horas até a meia-noite. No carro de som, drag queens e gogo boys se apresentaram e animaram o público. Para atender ao público, barracas de entidades beneficentes vendiam comidas, cerveja, água, refrigerantes e coquetéis. A maioria dos participantes, no entanto, era formada por curiosos que foram ao parque para conhecer um pouco da cultura GLS. É o caso do pespontador Diego Santana Garcia, 20, que foi com a namorada Daniele de Paula Alves, 17. “Somos curiosos e viemos ver como era. Não vimos nada de muito estranho. Pensei que seria mais diferente”, disse ele. Daniel diz que não é preconceituoso e que cada um tem que ter seu espaço. No entanto, ele salienta que muitas vezes os homossexuais passam do limite. “O problema não é ser gay. É não ficar cada um na sua. Às vezes eles extrapolam.” A namorada também comenta que não tem nenhuma discriminação, mas que o jeito de vestir, a voz e a forma com que eles agem a incomodam um pouco. O padeiro Benedito Assunção Filho, 26, foi com a mulher Daiana Alves do Nascimento,24, e seus filhos Felipe, 6, Hevelin, 2, e a pequena Yasmim, de sete meses, observar a parada. Ele comenta que é importante os filhos conhecerem desde pequenos o que acontece na sociedade para se prepararem para a vida adulta. “Acho normal trazer as crianças. Tem que se conviver para aprender as coisas.” Um senhor de aproximadamente 60 anos, que não quis se identificar, também era um dos “curiosos” da tarde de domingo. Para ele, a iniciativa da Prefeitura em apoiar o evento deve ser parabenizada. “Acho que é a melhor coisa que o prefeito fez. É importante para que o povo se manifeste, mas não vai acabar com o preconceito. A pessoa “normal” pensa que o gay é doente, sem-vergonha, mas não é.” Uma das poucas autoridades presentes na parada, Sérgio Menezes, diretor da Divisão de Cultura Municipal, ressaltou a importância cultural do evento. “É uma posição de resgate de cultura, uma quebra de tabu. Além do momento social, que envolve o evento, existe, acima de tudo, um momento cultural.” O prefeito Sidnei Rocha não compareceu na festança. Entre os gays, a parada serviu para mostrar que eles podem estar no caminho certo e que, devagar, estão conseguindo conquistar seu espaço. “Está mudando, já existe mais respeito nos locais de trabalho e de estudo. A tendência é nos tratar com normalidade e respeito. É isso aí, cada um fazendo sua parte, sem confundir sexualidade com integridade”, disse o enfermeiro Mateus, que estava acompanhado do namorado Danilo. Ambos não quiseram revelar o sobrenome. A mudança de mentalidade também é sentida pela travesti Tânia Leão do Bafão, 39, há 15 anos “estrela” de shows. Ela comenta que a realidade era bem mais difícil quando começou sua carreira. “Antigamente, o mundo gay era muito mais discriminado. A gente levava pedrada e até tiros. Hoje, as pessoas respeitam mais. Mas estamos só no meio do caminho.” Para o próximo ano, a diversão já está garantida. De acordo com Gilberto, organizador do evento, esta é só a primeira edição de uma festa que deve ser realizada todos os anos em Franca.

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