Tragédias aéreas anunciadas


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Alfredo Palermo Especial para o Comércio Jornalistas de todo o País têm comentado com severidade os erros das autoridades civis da aeronáutica, erros que causaram na noite de 17 do mês passado a queda de um avião em São Paulo. E a síntese dessa crítica é a que formulou Caio Luiz de Carvalho em editorial de 19/7, e que serve de epígrafe a esta nota: ‘Tragédias aéreas anunciadas’. E as denúncias são procedentes. Além do acidente do Airbus da TAM, que matou 199 pessoas, todos se lembram de um anterior, que deixou saldo de 156 mortos. Toda a mídia apontou como responsáveis os funcionários e as autoridades da Aviação Civil, setor em que a incompetência, a falta de disciplina, as greves e os berrantes erros da Infraero, do controladores de vôo e das autoridades, conhecidos há anos, criminosamente procuraram eliminar os problemas gigantescos, especialmente no aeroporto de Congonhas. Os jornais apontam as causas dos desastres que se vêm registrando neste aeroporto já há tempos: 1. as condições da área de Congonhas, extremamente restritas para aviões do tipo Airbus; 2. autorização do governo para que 18 milhões de passageiros pudessem desembarcar naquele aeroporto, quando o máximo seriam 11 milhões; 3. culpa das empresas transportadoras, cujo “business” era deixar os passageiros no “Aeroporto Jardim” de São Paulo; 4. abandono dos cuidados de defesa em dias de chuva, ou impedindo a descida dos aparelhos ou forçando-os a enfrentar o perigo das ondas pluviais; 5. abandono dos serviços da Infraero, criando confusões e riscos inadmissíveis; 6. precariedade dos serviços dos “controladores de vôos”. E outra série de erros que, exatamente por isso, acabaram por provocar acidentes que enlutaram centenas de famílias. O presidente Lula, três ou quatro dias depois do acidente do Airbus, falou à nação e, parecendo abalado, prometeu: 1. reduzir o movimento de aviões em Congonhas; 2. determinar que os aviões do tipo Airbus só usem os aeroportos de Guarulhos e Viracopos; 3. construir imediatamente um outro campo de aviação para atender ao uso cada vez maior dos grandes aviões. De qualquer forma esse acidente, que matou 199 pessoas, produziu não só uma onda de protestos no Brasil, mas também no exterior, onde os principais órgãos de imprensa insistiram no “slogan”: “Não se deve viajar de avião no Brasil porque esse país não tem aeroportos confiáveis”. A “Folha de São Paulo” publicou um artigo de Frei Betto, conselheiro de Lula, com o título de “Entre dois fogos”, onde comenta a tragédia de terça-feira. E, numa frase que atinge o governo, sintetiza o seu horror com esta frase: “Pensei com meus botões: ainda não é de viagem que tenho medo. É das autoridades”. O Brasil teme esse juízo.

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