Após 13 depoimentos e análise de milhares de páginas de documentos, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o Escândalo do Bagres conseguiu reforçar o que o Ministério Público já havia apontado: todos os indiciados no escândalo do Bagres tinham laços comerciais, de parentesco ou amizade entre si. Para Silas Cuba, presidente da CEI, os laços ficaram explícitos. “Todos são amigos e mantêm relações entre si. Isso ficou confirmado pela CEI”, disse.
Ficou evidente também a estratégia adotada pelos interrogados, de negar as ligações até o final. Surgiram, ainda, novidades, como o pedido de dinheiro do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) ao governo federal utilizando um projeto suspeito de superfaturamento.
Outro ponto aprofundado pela CEI foi a relação da administração municipal com o processo. Embora não existam provas que envolvam diretamente o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), todos os envolvidos foram claros em dizer que as ordens para aceleração do processo ou descarte de normas técnicas partiram do Gabinete.
O secretário de Finanças, Sebastião Ananias; Wilson Teixeira, ex-secretário de Planejamento; Caetano Perobelli, ex-presidente da Comissão Permanente de Licitações; além de engenheiros da Prefeitura, confirmaram que José Paschoal Ribeiro, chefe de Gabinete de Sidnei, era o responsável por pressionar o andamento do projeto. “Ficou provado que o Paschoal concentra um poder muito acima do que se pensava”, diz Cuba.
Em seu depoimento, Paschoal confirmou que era o responsável por cobrar o andamento do processo, mas negou irregularidades. “É assim que funciona, tem que haver cobrança. Não houve nada ilegal”, disse.
PRÓXIMOS PASSOS
Na reunião de quarta, será discutida ainda a peritagem do projeto, que poderá ser solicitada. “Já fiz contatos com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnologicas), que é um órgão respeitável. Para mim, será um dos pontos decisivos”, diz Cuba.
A 15 dias do término do prazo de apuração, a CEI pode, ainda, ser prorrogada por mais 90 dias, já que faltam ainda documentos solicitados na Prefeitura e ainda não enviados. “É uma possibilidade concreta. Os documentos pedidos, sobre as obras na ‘Dr. Carrão’, ainda não foram enviados, o que me deixa curioso”, diz o petista.
A CEI pode, ainda, convocar novamente o presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues. Outro que pode ser convidado a depor é o prefeito Sidnei Rocha (PSDB). “O escândalo chegou perto demais do Gabinete. O prefeito pode esclarecer alguns pontos importantes”, diz Cuba.
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