Perseverar na oração


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Na liturgia deste domingo, prosseguindo seus ensinamentos, Jesus instrui sobre a Oração. A primeira leitura, do livro do Gênesis, conta o diálogo entre Deus e Abraão, no qual o patriarca, com certa ousadia, intercede pela cidade. Deus fala a Abraão sobre o clamor que os pecados de Sodoma e Gomorra elevam ao céu. Abraão insiste com Deus para que este salve a cidade toda e não apenas um justo. É um diálogo amigável. Abraão apela para a justiça e a bondade de Deus. Abraão dirige-se a Deus e fala de amigo para amigo. O seu diálogo é uma oração. O modo como ele reza não é a repetição de fórmulas decoradas ou lidas em livros, não é um “blá-blá-blá” de palavras repetidas distraidamente, é um diálogo espontâneo e sincero: eis uma das características da verdadeira oração. A segunda leitura faz parte da segunda metade da carta aos Colossenses, na qual Paulo faz suas advertências aos crentes de Colossos. Os cristãos, ele afirma, tornam-se participantes da vida de Cristo. O Batismo torna os crentes solidários com a morte, a sepultura e a ressurreição de Cristo, libertando-os do destino de condenação que caracteriza a vida. Pela cruz, Jesus Cristo cancelou todas as nossas culpas. A morte de Cristo na cruz foi um ato de amor total. São Paulo os encoraja afirmando: o cristão não deve temer mais nada. No Batismo, a nossa vida antiga, os nossos pecados, foram destruídos e agora, ressuscitados com Cristo, vivemos uma vida totalmente nova. No evangelho de hoje, São Lucas inicia a narrativa informando que Jesus estava num lugar orando. Ao terminar, a partir do pedido dos discípulos para que os ensinasse a rezar, ele ensina o Pai-Nosso. Lucas apresenta Jesus, o modelo de oração. Diante do modelo, os discípulos também querem aprender. Jesus então ensina aos seus a oração do Pai-Nosso. Nos seus ensinamentos, Jesus deixa claro que a oração cristã sempre é atendida. O motivo pelo qual nem sempre somos atendidos é simples: nós não sabemos orar. Rezar significa sair das trevas dos nossos pensamentos e das nossas paixões para vivermos em Deus. Só depois de termos dialogado com ele é que nossos olhos se abrirão e contemplarão o mundo, os homens e os acontecimentos numa ótica diferente. Fora de nós tudo continua como antes, mas nós não somos os mesmos. Ao transformar a nossa mente e o nosso coração, a oração alcançou o seu resultado... e foi atendida. Uma coisa é certa: Deus não se cansa dos meus pedidos... posso ser perseverante na oração diálogo com o Pai do céu. COMO REZAR? – Pai: O cristão não precisa de recomendações ou de proteções, vai diretamente a seu Deus, porque sabe que ele é Pai. – Santificado seja o vosso nome, Os nossos hinos, as nossas incensações, as nossas cerimônias solenes nada dão a Deus. O seu nome é glorificado quando a sua salvação alcança o homem. – Venha o vosso reino. Nesse pedido reassumimos o compromisso do Batismo de colocar todas as nossas energias a serviço de Deus e abrir o coração para dar acolhida à sua salvação. – Seja feita a vossa vontade. Ao rezarmos este pedido nos colocamos diante do Pai com o desejo claro de que nossa mente, nossa vida e todo o nosso ser “escutem” Deus que só realiza a bondade e a misericórdia para nossa vida. – Dai-nos hoje o pão necessário. O cristão precisa do pão, isto é, de todas as coisas necessárias para a vida: o alimento, a roupa, a casa, a saúde... Esse pedido lembra-nos que devemos procurar o “pão” não só para nós mesmos, mas para todos, e nos comunica uma disposição e uma vontade renovada para consegui-lo. – Perdoai-nos, como nós perdoamos. O cristão não pode esperar ser ouvido por Deus se não cultivar sentimentos de amor para com os irmãos. Não se trata só de esquecer o mal recebido; é necessário reconciliar-se. – E não nos deixeis cair em tentação. A tentação não se reduz às pequenas fraquezas e misérias do dia-a-dia. A grande tentação é esquecer Deus na vida, deixando de lhe dar o valor que merece, substituindo por outros prazeres. – Mas livrai-nos do mal. O “mal” que nos prejudica verdadeiramente é a “perda da salvação”. LIÇÃO DE VIDA A Bíblia nos exorta a rezar sempre, a agradecer a Deus em todas as circunstâncias da vida. A oração só consegue resultados se for perseverante. A oração só atinge seu objetivo quando transforma a nossa mente e o nosso coração.

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