Se o mundo gay francano está contando os minutos para chegar logo a Parada Gay, existem pessoas que não querem nem passar perto do Parque “Fernando Costa” neste domingo. São homens e mulheres que também gostam de pessoas do mesmo sexo, só que tremem só de desconfiar que alguém duvide de sua masculinidade ou feminilidade. Estes, de acordo com as gírias gays, “estão dentro do armário.”
Para conseguir uma conversa franca e tentar descobrir o que pensam os homossexuais “enrustidos”, nada melhor do que uma sala de bate-papo na internet. Sob condição de anonimato, eles concordaram em soltar a língua à reportagem do Comércio. Serão usados na matéria apenas os seus nicks (apelidos usados na sala).
“Sem Frescura” é advogado, tem 33 anos, mora em Franca e diz gostar de ser passivo na hora da relação. Ele comenta que ninguém de seu meio social sabe de sua orientação sexual e se “gela” só de alguém desconfiar. “Sem Frescura” não acha necessário escancarar sua vida e que esta atitude o afastaria de muita gente. “Imagina meus ‘brothers’ do futebol sabendo que gosto de sair com homens. Eles iam me cortar. Já pensou na hora de tomar banho no vestiário? Acho que todo mundo ia sair na hora que eu entrasse.”
Sobre a falta de namorada perante os amigos e família, ele diz que sempre arruma uma desculpa e que já chegou a ficar com meninas para manter sua imagem de hétero, mas que definitivamente não é a praia dele.
Ele diz ainda que odeia o circuito GLS, porque todos são muito “desmunhecados”. “Só tem bichinhas. Nunca quis ser mulher, não.”
Outro que não freqüenta o circuito GLS é “Jack”. Estudante universitário, ele diz que não tem problema em revelar sua sexualidade, mas não sai por aí se mostrando. “Todo mundo imagina que a pessoa gay tem o estereótipo afeminado e que gosta só de ser passivo. Quem é ativo também é homossexual e a maioria dos gays não faz parte deste perfil de bonequinha.” Jack diz que é freqüente ele sair com homens casados, pais de família e já chegou inclusive a se encontrar com um homem de meia-idade que já era avô. “Nesses casos, a atenção deve ser redobrada. Você pode acabar com a vida do cara.”
E, segundo os freqüentadores das salas, o número de visitantes que têm uma “vida normal” com namoradas e mulheres, mas não deixam de sair com pessoas do mesmo sexo, é grande. Um dos casos é o do analista de sistemas “Gato Bi”, de 26 anos, que, como o apelido sugere, diz ser bissexual. Ele comenta que tem namorada, pratica sexo com mulheres, que lhe dão muito prazer, mas gosta de dar “uns pegas com homens também.” “É diferente. Com um cara tem mais pegada, é um negócio mais forte.” Ele diz que não tem preferência por um papel específico na hora da relação com outro homem, mas que na maioria das vezes é ativo.
Sobre o porquê de esconder suas preferências sexuais, “Gato Bi” diz que não se sente preparado para enfrentar os olhares desconfiados das outras pessoas. Além disso, acha que a sociedade não está preparada para tal comportamento. “Posso até conversar com minha namorada o tanto que for, mas não vou conseguir explicar para ela que o fato de eu gostar de ter relações com um cara não afeta em nada o que sinto por ela. São duas sensações completamente diferentes.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.