Gay. E dai?


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Maria Cristina Galdio Gomes e sua filha Maria Cecília Galdio Gomes: mãe apóia homo da jovem
Maria Cristina Galdio Gomes e sua filha Maria Cecília Galdio Gomes: mãe apóia homo da jovem
A dona de casa Maria Cristina Galdio Gomes sempre percebeu que sua filha, Maria Cecília Galdio Gomes, a Ciça, era diferente das outras meninas. Ela conta que, ainda criança, quando ia para a escola, a filha sempre se destoava de suas coleguinhas. O tratamento com as meninas também era diferente. Depois de muito analisar a filha, a constatação: ela era homossexual. “Desde que a Ciça era pequena eu desconfiava. Acho que eu e meu marido fomos preparados. No nosso subconsciente a gente já sabia. Isso para nós não foi nada de espantoso.” Maria Cristina diz que quando a filha se assumiu, com 14 anos, ela ficou assustada, mas não pela orientação sexual da filha. “A revelação foi a parte mais complicada. Quando você cai na realidade, se assusta, mas não pelo preconceito que poderíamos ter, e sim pelo preconceito que ela vai sofrer por parte de outras pessoas.” Após a declaração, a relação de toda a família, que já era boa, se transformou. “Tudo mudou. A luz do céu ficou diferente, a lua ficou maravilhosa. Porque aí, já se sabia o que era”, disse Maria Cristina. Hoje, Ciça confia em sua mãe e lhe conta tudo o que acontece com ela: seus relacionamentos, suas namoradas e dúvidas que tem. Maria Cristina diz ainda que a orientação sexual não foi uma escolha de sua filha. “A pessoa já nasce homossexual. Esta história de que ela escolhe gostar de homem ou de mulher é mentira.” Para os pais que acham que seus filhos são homossexuais, ela dá um conselho: “Amem seus filhos da maneira que Deus os mandou para vocês. É um encargo nosso, de pai ou mãe. Se tem dificuldade com a situação, procure conversar com outros pais. Isso não é um bicho-de-sete-cabeças. Amem-no do jeito que ele é.” A revelação também foi um alívio para Ciça. “Foi maravilhoso (a conversa com os pais). A minha família inteira me aceita bem.” E essa aceitação é tamanha que Ciça tem até privilégios que muitos casais héteros não têm. “Sempre minhas namoradas vão à minha casa. Ela ficam lá, dormem lá, sem problema nenhum.” A situação não foi a mesma para o estudante Marcos André Santos, que namora há oito meses. Ele comenta que a família recebeu com uma certa resistência o fato de ele ser gay. “A primeira reação dos meus pais foi aquela que acho que é sempre a mesma para todos. Eles queriam arrumar um culpado, achar de quem era a culpa.” Após o susto, a situação melhorou um pouco, mas Marcos ainda encontra dificuldades dentro de casa. “Até hoje minha mãe não aceita, mas me respeita.” Marcos considera que o maior medo das pessoas se assumirem, na verdade, não é a sociedade, mas a família. “Toda pessoa já nasce com aquele caminho destinado, que é crescer, ter esposa, filhos, ser bem sucedido. Quando pinta isso (a revelação do homossexualismo), é um baque, uma coisa muito forte”. ‘PARADA FAMÍLIA’ Ciça acha legal ter uma Parada Gay na cidade para tentar diminuir o preconceito. “As pessoas vão se acostumando mais e vendo que isso não é um bicho-de-sete-cabeças.” Ela diz que levará as pessoas mais próximas para mostrar a elas como é a realidade em que vive. “Eu vou levar meus pais, vou levar todo mundo, para ver que não é essa coisa que todo mundo pensa.”

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