Desdobramentos da crise


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Porque a crise do mercado “subprime” americano assusta o mundo inteiro? Para quem não sabe, no mercado de hipotecas americanos (financiamento de imóveis com garantia do próprio imóvel) existem as hipotecas “prime” (com baixo risco de inadimplência) e as “subprime” (com risco maior). O que os agentes imobiliários fazem é pegar as carteiras “subprime” e vender no mercado, com uma determinada taxa de desconto, proporcional ao risco do negócio. Como há muita liquidez no mercado americano - e mundial - muitos fundos decidiram apostar pesado nessas carteiras, aceitando taxas de desconto pequenas. Quanto mais caro era o preço pago por essas carteiras, maior o risco. Por sua vez, com a minimização dos riscos, os bancos hipotecários passaram a conceder financiamento a rodo, provocando uma explosão nos preços dos imóveis. Os preços, por sua vez, serviram de garantia para os financiamentos. *** Quando a bolha chegou no auge, começaram a pipocar problemas com alguns fundos que investiram no “subprime”. À medida que os problemas se avolumavam, a bolha imobiliária foi desinflando, reduzindo os preços dos imóveis - e, obviamente, a garantia dos financiamentos. Esse foi o primeiro round da história, que revela apenas uma parcela do mercado de crédito. *** Acontece que a imprudência na concessão de créditos extravasou o mercado hipotecário americano. Houve uma enorme onda de fusões e incorporações, com os grandes bancos saindo correndo atrás de clientes. Essas operações, em geral, têm como garantia o valor das ações da empresa adquirida. O valor de uma empresa, em geral, corresponde ao fluxo esperado de rendimentos, calculado de acordo com as taxas de juros mundiais (mais um fator de risco). Suponha uma empresa que rendesse 10 por ano. Com uma taxa de juros de 10% ao ano, tomando-se o período de 20 anos, seu valor presente seria 85. Quando as taxas caíram para 4% ao ano, a mesma empresa, com os mesmos rendimentos, passou a valer 136. Ou seja, uma valorização de 60% unicamente devido à redução dos juros mundiais. *** Não se para aí. Nos mercados mais especulativos há a chamada de margem, sempre que cai o preço de determinado ativo. Suponha que alguém resolveu comprar determinado lote de ações no mercado futuro, a um preço de US$ 1.000.000,00. Se o preço futuro cai para US$ 900.000,00 ele será obrigado a depositar a diferença. *** Juntando tudo isso, chega-se ao efeito cascata da crise americana. Começaram a aparecer buracos em vários fundos que investiram no mercado “subprime”. Inicialmente, esses buracos foram disfarçados na contabilidade dos fundos. À medida que os buracos apareceram, caiu o preço dos imóveis americanos, aumentando o rombo (diferença entre o financiamento e o valor do imóvel). Para cobrir seus rombos, muitos fundos precisaram vender ativos em outros mercados, derrubando os preços aí também. Ao derrubar os preços, outros fundos (que nada tinham a ver com os ‘subprimes) precisaram fazer depósitos nesses mercados, para a cobertura da margem. *** Esse movimento poderá ir até determinado piso, quando então entrarão outros agentes comprando ativos e impedindo a queda. Ou poderá continuar. O CASO DO ALGODÃO Está quase no fim um dos primeiros painéis abertos pelo Brasil contra os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio). A disputa começou há quatro anos. Em decisão preliminar, o painel deu razão ao Brasil na maioria dos pontos questionados. O Brasil poderá impor sanções de até US$ 4 bi contra os EUA. Mas o país ainda poderá questionar o nível das sanções impostas. LADEIRA ACIMA Com as bolsas internacionais caindo, o dólar comercial subiu no Brasil. O dólar chegou a bater em R$ 1,9350, mas fechou a R$ 1,895. Nos próximos dias, continuará ao sabor dos fluxos financeiros internacionais. Ainda não há consenso nos diversos mercados sobre se o movimento de queda dos ativos continuará ou será interrompido nos próximos dias. RISCO E SELIC Um ponto central nessa crise será o novo nível da taxa de risco dos títulos brasileiros. O fluxo de dólares tem sido provocado pela diferença entre as taxas internacionais (mais a taxa de risco Brasil) e as taxas Selic. Quanto maior a diferença, maior o fluxo. Quando o risco começou a cair, havia espaço para o Banco Central reduzir a Selic. Com o risco aumentando, a tendência será reduzir o ritmo de queda. SUPERÁVIT E TECNOLOGIA Segundo o IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o superávit da balança comercial na indústria de transformação foi de US$ 11,5 bilhões no semestre. Houve redução em relação aos US$ 14 bi do período anterior. Já nos setores de alta e média-alta intensidade tecnológica, o déficit cresceu de US$ 5,4 bilhões para US$ 6,8 bilhões no semestre. No caso da média-alta tecnologia, o superávit de US$ 98 milhões no primeiro semestre de 2006 cedeu lugar a um déficit de US$ 3,3 bilhões em janeiro-junho/ 2007. CELULAR Sob nova direção - o ex-embaixador Ronaldo Sardenberg - a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) começa a mudar procedimentos. Na sexta, decidiu que em dois anos as operadoras de telefonia celular terão que rescindir contratos com usuários até 24 horas após o pedido. As decisões obedecem ao disposto no Código der Defesa do Consumidor.

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