A notícia da morte de Jean Rodrigues atraiu grande número de curiosos ao Jardim Luiza II. “Como pode ter ocorrido um acidente tão violento numa subida e com um caminhão quase parado?” Era a pergunta mais freqüente. Difícil encontrar a resposta.
Informados do acidente, vários coletores foram para o local. Ao verem o amigo sem vida no chão, trocaram os habituais sorrisos por lágrimas. “Ce tá é doido. É um colega da gente e morre de repente, assim. Nosso serviço é muito perigoso. É preciso pegar muita manha para trabalhar num caminhão desse. O lixo é jogado de lado. O estribo também fica na lateral. Ele é curto e dificulta o equilíbrio. Se der bobeira, o cara cai e a roda passa em cima. Olha lá, o que aconteceu”, disse Wilson Carlos da Silva, 29.
Abalados com a morte de Jean, os lixeiros daquele setor procuraram o encarregado da empresa e informaram que não tinham condições psicológicas de continuar trabalhando. “Não tem como trabalhar hoje. Estamos arrasados”.
Eles também reclamaram da falta de consciência, principalmente de motoqueiros, que sempre os colocam em risco nas ruas da cidade. “Eu mesmo já fui atropelado por uma moto. Ninguém pára.
Vivemos na correria o dia todo e estamos com a atenção no lixo e, nem sempre, temos condições de ver o que está acontecendo atrás. Sofremos muito com isso. Precisamos de mais respeito”.
Djalma Moreira, 20, morava próximo à casa de Jean e sempre andavam juntos. Também chorou a morte do amigo. “Ficamos sabendo do acidente em outro setor e já paramos o caminhão na hora. Entrei em pânico ao ver que era o Jean. Estamos com medo. Aconteceu com ele, pode ser com a gente também. O tipo de caminhão que ele estava é perigoso”.
o outro lado
Para a Colifran, o cami-nhão utilizado ontem não é perigoso. Em e-mail enviado à imprensa na tarde ontem, a empresa diz que acredita que o motorista não teve culpa e que prestará toda assistência à família do falecido.
No e-mail, a Colifran diz que o caminhão de coleta do acidente é um “veículo leve, especial para ruas sem pavimentação, de difíci acesso, transita com velocidade reduzida”. Diz ainda que a empresa está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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